sábado, 27 de dezembro de 2008

"A vida é uma caixinha de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar lá dentro"

Manhã de algum dia de outubro, em 2001. Três adolescentes, entediadas com a aula de física, resolvem trocar bilhetes para o tempo passar mais rápido. Como sempre ficam sem assunto, uma delas resolve apelar e perguntar como elas imaginam sua vida em 20 anos.
Sete anos se passam, é dezembro de 2008. O bilhete que elas trocaram naquela manhã é encontrado... revelando que nem de longe,acertaram como seria suas vidas em 20 anos.
Tudo bem que não se passaram 20 anos, mas em sete o rumo de nossas vidas se distanciou MUITO das nossas previsões aos 16 anos de idade! Pois é, eu era uma das adolescentes e as outras duas são (quase) as únicas leitoras desse blog! Pelo menos a amizade persistiu a esse tempo todo.
Não vou revelar o conteúdo de todas as (desastrosas) previsões, vou revelar só a minha e com o único objetivo de provar que não adianta fazer planos quando se tem 16, 23 ou 50 anos, porque a vida sempre vai encontrar um jeito de se fazer inesperada.
Aos 16, eu imaginava que aos 36 eu seria uma advogada. Passaria o dia inteiro em tribunais (e advogado faz isso hoje em dia? hihi), teria um casamento falido porque, simplesmente, daria mais valor ao trabalho do que a família. Deu pra perceber que naquela época eu não era uma pessoa muito otimista com às minhas relações pessoais, deu pra perceber também que eu estava bitolada com o vestibular (pois é, eu fiz esse vestibular pra direito) e achei que minha vida continuaria assim eternamente.
Como eu era espertinha, sabia que era difícil controlar todas as variáveis da vida, fiz uma outra previsão: Se o plano A não desse certo, em tinha o plano B. E o plano B era ir aos Estados Unidos, para trabalhar em um centro de pesquisa bem avançado. Olha que o plano B se mostrou bem mais coerente com algumas escolha que fiz desde aquela época...
Aos 23 eu sou engenheira, iniciei um mestrado e quase me tornei a pesquisadora do plano B. Exceto pelo fato de que o plano B incluía pesquisas em engenharia genética, e o meu mestrado é em telecomunicações (no cerrado mesmo, a milhares de quilômetros dos EUA)! As chances de ir para "um centro de pesquisa bem avançado" são mínimas, já que atualmente eu nem sei se vou me tornar "mestre" um dia. Aos 23 estou longe, bem longe de casar e muito mais longe de ter um casamento falido. Imagina ? Ô criaturinha pessimista esse meu "eu" do passado.

De uma coisa eu tenho certeza: Aos 16, no verso desse bilhete, eu combinei um passeio com a Zaíra e a Taíssa a Ermida Dom Bosco. Aos 23, eu realizei o passeio! Por motivos óbvios, só com a Taíssa. Mas não me atrevo a dizer que não realizarei esse passeio algum dia com a Zazá também ;).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O último que sair apaga a luz!


Essa expressão era bastante utilizada nos anos 80 e 90 aqui em Brasília nessa época do ano, pois retratava o vazio da cidade quando todos viajavam para aproveitarem as festas nas cidades de origem. Por ser uma cidade bem nova, de apenas 48 anos, é difícil encontrar adultos filhos de pais brasilienses e talvez isso justifique a migração temporária dos brasilienses para outros estados em dezembro. Eu costumava ser uma dessas, mas esse ano fiquei por aqui pra apagar a luz enquanto observo os amigos e parentes indo embora para rever a família.
O que pude observar é que Brasília é cinza em dezembro. Mas o cinza é diferente daquele que vemos em setembro por causa da seca. O cinza "dezembrino" é da umidade, das chuvas que caem a todo instante. Se em setembro eu escrevi um post pra comemorar o primeiro dia de chuva, em dezembro eu escrevo pra retratar os raros dias de sol. Mas até esse cinza tem a sua beleza, porque realça as famosas luzes de natal eternizadas em "Faroeste Caboclo":

E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal

"Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu começo a trabalhar"

É, Brasília é linda no natal. Hoje eu passei pelo eixo monumental e pude ver todos os enfeites, desde o presépio do Memorial JK, até as luzes dos ministérios. O cinza do dia vem pra combinar com a solidão melancólica (e bela) da cidade em dezembro e destacar as luzes a noite.
Sei que daqui a alguns anos isso não vai ser mais verdade. Daqui a alguns anos os filhos de brasilienses farão a migração contrária, da capital para o resto do país e retornarão apenas para passar as festas. Isso deixará a cidade mais agitada, mais alegre, com um clima mais natalino.
Enquanto esse dia não chega, eu fico aqui solitária e observando o silêncio, a calma e a tranquilidade dessa cidade que eu amo, e que é tão peculiar. Às vezes eu até me pergunto se eu conseguiria viver em algum outro lugar, que não tivesse esse céu, essa dinâmica (ou falta de dinâmica), essa secura, esse cinza, essas luzes e esse ritmo. Espero que sim, mas nunca vou deixar essa cidade de lado, afinal, eu tenho todo o orgulho de ter nascido aqui...


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Balanço Literário de 2008

A idade chegou e eu não vou me lembrar de todos os livros que li, mas vou falar dos poucos que lembro...

Sidarta - Herman Hesse. O livro não é uma biografia do Buda, mas bem que poderia ser. É interessante pra quem gosta das religiões orientais e conta a história do jovem Sidarta e sua busca pelo auto-conhecimento. O escritor ganhou um nobel em Literatura e atualmente, estou com o "Jogo das contas de vidro" pra ler, mas ainda não tive coragem.

Budapeste - Chico Buarque. Nunca tinha lido nenhum livro do Chico e confesso que gostei bastante.  É muito envolvente, li rapidinho e no final fiquei com vontade de aprender húngaro que, segundo José Costa , o protagonista do livro, é a única língua no mundo que o diabo respeita. 

As origens da virtude - Matt Ridley. Esse é para quem gosta um pouquinho de biologia, psicologia e teoria dos jogos (eu! eu! eu!). Ele explica como nós animais desenvolvemos, a partir das trocas sociais, os nossos sentimentos e até a nossa moral. Mas é claro que ele também leva em conta a antropologia (Viu Zaíra?) hehehehehe.

O fim da Terra e do Céu - Marcelo Gleiser. Eu também gosto de história e física, hehehe.  Esse é pra quem tem gostos estranhos como eu. O físico Marcelo Gleiser foi bastante feliz nesse livro. Como o título mostra, o livro é sobre o Apocalipse mesmo, do ponto de vista científico e da religião. E até que ele deixa o lado científico meio descomplicado. 

O Encontro Marcado - Fernando Sabino. Outro companheiro de viagens. Impossível não se envolver com a evolução do inquieto e determinado Eduardo Marciano. Confesso que eu fiquei meio triste com o rumo da vida dele, mas ele acaba se encontrando em algum ponto. Vale a pena ler! Vou até reler o "Homem nú", porque o Fernando Sabino é sensacional.

Amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Marques. Bom pra quem quiser conhecer o triângulo amoroso da Fermina, do doutor Urbino e do Florentino Ariza com suas quinhentas amantes. É um livro lindo, e o filme com o Javier Bardem foi EXTREMAMENTE fiel.

Livros incompletos

O gene egoísta + Deus, um delírio - Richard Dawkins. Ambos eu não terminei de ler. Não porque sejam ruins, que não são. E estão longe disso. Mas é que eu tenho o péssimo hábito de ler 3 ou 4 livros por vez. Aí acabo preferindo um ao outro. Esses dois vão mais longe que o "As origens da virtude" e explicam a origem dos comportamentos humanos com base na biologia evolutiva. Vão tão longe que, no último, o autor expõe suas razões, com base na teoria das memes e nos nossos genes queridos, para acreditar (e provar?) que a nossa crença em Deus é absurda.
Esses deixariam a Zaíra de cabelo em pé. E talvez o meu relato deixe a Taíssa de cabelo em pé. 

O mundo assombrado pelos demônios - Carl Sagan. É o mesmo autor de Contato (lembram do filme, com a Jodie Foster?). Ele também é físico e se vocês forem ao Museu de História Natural em NY encontrarão um show no planetário que foi projetado por ele. O livro é muiiiiito legal, é sobre a propagação de pseudociências hoje em dia, e a tendência que os homens têm de acreditar mais em coisas sobrenaturais que em coisas cientificamente comprovadas.
Por enquanto é isso que eu tenho a dizer. Espero que eu termine logo ;)

Olhai os Lirios do Campo - Erico Veríssimo. Esse eu comecei ontem, não dá pra dizer nada ainda. hehehehe =)

sábado, 20 de dezembro de 2008

bye bye 2008...


É fim de ano, de novo. E esse último passou tão rápido, voando pra falar a verdade. Ainda lembro da minha animação para o reveillon do ano passado. E agora, vejam só, já estou me preparando para outro.
Eu sei que na prática nada muda, mas é bom termos a sensação de que ciclos se completam e de que podemos sempre recomeçar. E, amigos, recomeçar é preciso (especialmente pra mim).
Me despeço de 2008 assim como eu me despedi de 2007, e assim como eu espero me despedir de 2009 e de todos os muitos anos que espero ter pela frente: Agradecendo pelo melhor ano que eu já tive.
Ano passado eu me formei, fui a NY, a Bariloche, passei no mestrado. Foi um ano intenso, cheio de alegrias e decepções também, porque nada que é intenso é perfeito.
Esse ano eu sofri, sofri por aceitar verdades que eu nunca quis aceitar, por querer acreditar que certas pessoas têm conserto, quando na verdade não têm, sofri por me culpar por coisas que nunca foram minha culpa e também sofri pra me reinventar (ainda estou nesse processo).
Mas as coisas boas desse ano superaram, e muito, as coisas ruins. Saí do mestrado (ou tirei um tempo? Ainda não sei. Só sei que foi melhor assim), apresentei em congressos aqui e no exterior (quem diria?), revi amigos que há anos eu não via, viajei com amigos, com a família, fiz novos amigos enquanto me descabelava com a Serenata de Natal. Voltei a mosaicar! Minha família está se "reestruturando".
Eu conheci o Dave! Acho que só isso já bastaria pra 2008 ser o melhor ano de todos, mas eu sou  "so damn lucky" que ainda aconteceu algo melhor:
Conheci alguém ultra-mega especial, e que me deixou morrendo de saudades agora que está em outro hemisfério... sorte que é temporário. :)

De 2008 restaram três coisas:
1 - Tristezas não são eternas, e quando elas passam te deixam mais forte
2 - Alguns amigos são para vida toda. Não importa se eles morem ao seu lado, no Rio ou em Olinda. Não importa se eles conversam com você sempre ou uma vez por ano. Alguns são amigos pra sempre.
3 - A felicidade pode ser infinita, mesmo que seja só enquanto dure.

Que venha 2009!


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

California

Voltei!
Finalmente!
Nunca achei que duas semanas pudessem demorar tanto!
Confesso que estar em casa é bem melhor. Vou contar porque...

A chegada aos EUA. Eu já tinha ido lá, não tive do que reclamar da primeira vez. Mas da segunda, eu tive o azar de encontrar um funcionário da imigração que estava de mau humor. Ele fez a pergunta de praxe: 
Por que você está nos EUA? 
Para apresentar um artigo em um congresso, (crente que isso ia facilitar minha vida)
Ah, VOCÊ escreveu um artigo e vai apresentar aqui? E quem pagou pela viagem? (com cara de quem não acreditou que eu pudesse escrever alguma coisa)
Ai, nessa hora lascou tudo. Ele simplesmente não entendeu que aqui no Brasil pesquisador não tem muitos incentivos e não acreditou que eu tivesse gasto dinheiro do meu bolso para estar lá.
Era melhor ter mentido e ter dito que eu ia só fazer turismo. Assim eu ainda teria economizado os $100 que gastei para trocar o meu visto de turista para turista/negócios.

Pois é, fiquei meia hora tendo que ouvir um funcionário FDP me perguntar sobre o que era o congresso, sobre o que era o meu artigo, se eu tinha levado o meu artigo impresso ( QUE MERDA! QUEM LEVA O ARTIGO IMPRESSO PRA ESSES CONGRESSOS, SE A APRESENTAÇÃO É EM POWER POINT?). Aí eu inventei de falar que era normal (e realmente é) não levar nada impresso. Se alguém pedisse eu poderia simplesmente enviar por e-mail, ou o que é mais normal ainda, os organizadores do congresso podiam dar um cd para todos os participantes, com todos os artigos que foram apresentados.
Aí que lascou tudo. Visivelmente alterado ele GRITOU: IT'S NORMAL????

E todos que estavam na fila ouviram. Eu queria abrir um buraquinho no chão e me esconder. Todos que estavam na fila atrás de mim mudaram para outras filas...Então eu lembrei que tinha uma versão do artigo impressa em português... e ele :Ah, então você vai apresentar em português? 

- Não, (idiota) eu não vou apresentar em português. Eu já falei que a apresentação é em power point e o arquivo está na minha pen drive, quer ver?

Não, não quero. Quero saber sobre o que é o artigo. 

Ele não ia entender, mas tudo bem... eu tive que explicar. É sobre telecomunicações, utilização dinâmica do espectro. Para resolver o problema da escassez espectral, criaram o conceito de rádio cognitivo e sensoriamento do espectro...

Depois de dez minutos...

Mas você gastou mesmo seu dinheiro pra vir aqui? Você foi convidada pra apresentar o artigo?

Sim, eu gastei meu dinheiro (é MEU dinheiro e eu deveria gastar como quiser, não?). Não, não fui convidada. Eles abriram as inscrições na internet com os temas, eu enviei um artigo, eles gostaram e vão publicar se eu vier aqui pra apresentar. É bom para o meu currículo. E eu ainda posso aproveitar e conhecer a California.

Ah, então você veio passear?

Também...

Então pode ir.

Era melhor ter dito que eu ia só fazer turismo. Então, leitores, se alguém for pra lá como imigrante ilegal, é melhor ir como turista do que inventar qualquer outra coisa, porque eles não vão acreditar mesmo que seja de verdade.

Por essas e outras, eu espero que nunca mais eu tenha que pisar lá de novo. Porque a Calirfornia nem é tão legal assim. Tava frio, a calçada da fama é só uma rua com estrelinhas no chão, Berverly Hills é só um upgrade do Lago Sul, os Estúdios da Universal são fichinha pra quem já foi a Disney (tá, eu nunca fui, mas quem fui diz que é), a comida deles é gorda e pesada e eles te tratam como lixo, sempre, mesmo que você esteja pagando pelo serviço deles.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

You're just too good to be true

Um mês de "abraços e beijihos e carinhos sem ter fim", #41 bordada, Dilbert, "cultura é diversão", tardes preguiçosas, alegria infinita, docinhos espalhados pelos quatro cantos, estacionamento eterno, two step ao telefone, sons da natureza, Stgar Wars - the force unleashed, smurfs techno, puxadinhas no cabinho do som que está com mau contato, hamburguer sorriso, suco de uva fingindo que é vinho, camisetas de 15 reais, bibelôs do buda, subway, strawberry fields forever, caronas, marcelo camelo, chá com bolo e batata frita, perturbações na força, idas ao supermercado, freezer entupido de gelo, almofada do homem aranha, musiquinhas da serenata de natal, ajudas com o teclado, dave, beatles e até um pouquinho de saudade...
Te adoro ;)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Intensidade





























Engraçado como eu estou tratando o blog como um diário. HAHAHAA... vocês se importam? =P
Eu sou muito egocêntrica pra escrever sobre algo além de mim mesma...
Então lá vai.
Ontem eu fui ao show do Teatro Mágico. Eu adoro Teatro Mágico, conheço a banda há 4 anos, tenho o cd e tudo mais, conheço as músicas e confesso que, até o mês passado, o outro show que eles fizeram aqui em Brasília tinha sido o melhor show da minha vida.
Pra quem não conhece o Teatro Mágico, ele é uma mistureba de músicos, atores e artistas circenses (que, nesse caso, não deixam de ser músicos e atores). O show, em espaços adequados, é muitoooo legal, tem espetáculos com trapezistas, malabaristas, palhaços e tudo que um bom circo deve ter. E assim foi o show que eu assisti espremida na terceira fileira de gente, lá na UnB exatamente há um ano.
O de ontem foi diferente. O espaço era apertado, teve trapezista, malabarista e palhaço, mas eles não tinham espaço suficiente pra se apresentar direito. O espaço para o público também deixou a desejar... e talvez por isso eu não tenha "entrado na atmosfera circense" assistindo o show de onde eu estava. Mas foi legalzinho mesmo assim...
Mas o post não é sobre isso! Na verdade, eu queria escrever sobre "como algumas coisas perdem a intensidade com o passar do tempo". Há um ano, eu duvido que teria prestado atenção nesses detalhes do show, porque estar ali era algo que eu queria há muito tempo. Naquele dia na UnB eu consegui ser imersa na atmosfera circense e aproveitar o show com tudo que ele podia oferecer.
Depois que saí do Blue Tree eu fiquei pensando nisso tudo e, pra variar, extrapolei o resultado para todo o resto. Por que certas coisas perdem a graça depois de viver uma experiência mais intensa?

Vou explicar.

No caso do Teatro Mágico, a minha percepção deve ter sido afetada por ter visto a DMB, que era uma banda que eu gostava "infinitamente" mais e que eu estava esperando há muito mais tempo. Então o Teatro Mágico perdeu a graça, só porque a DMB mudou o meu "referencial de intensidade" musical.
Então eu me pergunto se é justo (e se é bom) deixar que as experiências "maravilhosas" e
"fora da curva" sejam o meu referencial de felicidade. Será que só vou gostar de outro show quando for da DMB? Queria mesmo era aproveitar tudo como se fosse a primeira vez =/ (sim, eu sempre coloco uma frase clichê)
Oh my!!!

domingo, 19 de outubro de 2008

Horário de Verão

O céu está escuro, o relógio toca.
Você pensa: "Que droga! Ou eu programei o despertador errado, ou deu a louca no mundo e o sol esqueceu de nascer"
Não, não é nada disso. Depois de xingar a sua vontade de ficar na cama umas dez vezes, você se dá conta que é só mais um horário de verão que chega para alegrar suas manhãs.
Dizem que é bom ver o sol nascendo pelo menos uma vez ao ano. Eu concordo. E me contento em vê-lo nascendo só no dia primeiro de janeiro, porque minha idade não me permite os excessos de ficar até de madrugada na rua. Mas não... o horário de verão me obriga a ter esse contato com o início do dia mais de uma vez por ano.
E o pior é que um desses dias é logo amanhã. Amanhã!!! E isso sempre acontece! Eu sempre esqueço que o horário de verão começa no domingo, sempre vou dormir tarde e sempre tenho que acordar cedo. Droga.
Só me resta aceitar e comemorar nossas noites mais curtas, nosso humor maravilhoso pelo resto da semana, e todos os "nascer-do-sol" que veremos graças ao maravilhoso ser humano que teve essa idéia cretina de adiantar o relógio em uma hora.
O pior é que depois de um tempo a gente até que se acostuma. Se acostuma em acordar cedo, ir pra academia de madrugada, e até acha legal poder sair com os amigos com o sol ainda alto no céu, patinar depois da UnB e jantar bem naquela hora que o céu começa a escurecer e as estrelas começam a piscar. Mas, quando eu finalmente começo a gostar de tudo isso...

Pronto. Hora de atrasar o maldito relógio de novo. Esquecer das patinadas ao por-do-sol, se acostumar com o sol na sua cara pela manhã, sentir falta do horário de verão, xingar de novo o cretino que teve essa idéia ... e esperar de novo o dia de adiantar os relógios...

E minha preguiça que sai perdendo nessa história =/

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

However far away, I will always love you

Post para alguém que não pode lê-lo. Me confortaria a idéia de que talvez ele pudesse...
Hoje faz 12 anos. Me é muito estranha a idéia de que eu já vivi mais tempo sem você do que com você. Parece que foi ontem...
Parece que ainda ontem eu acordava no meio danoite e te encontrava na sala, sentado na cabeceira da mesa, tentando estudar. Seus olhos já estavam cansados e não te deixavam ler, então eu lia um pouco até que eu ficasse novamente com sono (o que geralmente acontecia em cinco minutos). Nós acordávamos sempre cedinho e íamos à Agua Mineral caminhar (eu ia nadar, na verdade) e você ficava lá me olhando, sempre atento, com seus olhos verdes que eu tanto quis copiar. Por que eu não copiei? Desastrosos milagres da genética...
Exatamente há 12 anos eu estava feliz com o presente que você me dera no dia das crianças. Eu tinha esperado tanto por aquela casinha de bonecas, e finalmente meu sonho tinha sido realizado. Nós tínhamos acabado de voltar de uma viagem curtinha, onde você já tinha dado sinais de piora. Eu percebi... tanto percebi que troquei o jantar com o resto da família para te acompanhar no hotel e ficar algumas horas a mais com você.
Logo a minha preocupação foi trocada, novamente, pela alegria do presente tão esperado. Era feriado e eu estava contente por não ir à escola. Até que você bateu na porta do meu quarto e me falou: "Filha, vou ao hospital". Eu nunca achava que era grave, afinal você sempre ia e passava alguns dias mas sempre voltava. Então eu não dei bola e falei o costumeiro: "Volta logo, tá?" e continuei com meus afazeres "importantíssimos". Só que de repente bateu uma angústia e eu saí correndo para te ver de novo. Te peguei ainda na porta de casa e consegui te dar um abraço, um último beijo e me despedir: "Fica bem, tá? Vou te fazer um desenho, caso você fique por lá".
Será que eu senti que você não voltaria?
Sinceramente, eu não sei. Só sei que nesse dia você não voltou. O desenho nunca foi terminado, só consegui pintar o amarelo do sol. E ainda tinha tanta coisa pra gente fazer! Tantos conselhos pra eu te pedir, tantas idas ao clube, tantas viagens, tantas risadas, tantos abraços, aulas de matemática, tantas broncas, tanta vida...
E há 12 anos eu tive que reaprender a viver. Eu quis até ir junto, porque naquele dia a saudade, que dói até hoje, doeu mais. E eu não sabia pra onde ir, o que fazer ou porque seguir em frente. Havia motivo pra seguir em frente?
Havia muitos, mas naquele dia eu não conseguia ver. Felizmente, mais tarde eu consegui. Tive momomentos difíceis, em que eu precisei do seu colo e da suas palavras: "Pequerrucha, vai dar tudo certo". Tive bons momentos, em que eu quis que você ficasse orgulhoso de mim. Momentos de dúvida, de alegria, de tédio, de paz, de amor, de saudade, de tristeza, momentos que eu queria e precisava dividir com você, mas não pude.
Só sei que você participou de tudo mesmo assim. Porque apesar da Érika ter vivido mais sem você do que com você, ela só é a Erika porque você exisitiu...
E me confortaria a idéia de que, talvez, você continuasse a existir em algum outro lugar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Outubro

“O ano já está quase acabando”, Alzira pensou quando olhou para o calendário preso em sua parede e viu que já era outubro. Como deixava tudo sempre para a última hora, ela tinha um pouco de ansiedade ao olhar para relógios e calendários porque eles sempre a lembravam das tarefas que ela quis esquecer. Mas ela tinha que olhar mesmo assim, pois já passava das nove horas e ela ainda não tinha saído da cama, e a pilha de coisas a fazer só se acumulava na sua escrivaninha. Então ela se levantou, se trocou e saiu.

Outubro era frio. Frio e seco e ela não gostava. Não gostava de vestir as roupas pesadas, as botas, as luvas e de amassar seu cabelo com aqueles chapéus que insistiam em não sair da moda. Ultimamente ela andava sem paciência e sem vontade de conversar, e só pensava no trabalho que tinha que fazer. Muito trabalho a fazer, por sinal. E seu trabalho era sempre a mesma coisa, nunca mudava e isso deixava Alzira mais sem paciência e com menos vontade de conversar. Ah, devia ser por isso que ela andava assim nesses últimos dias.

Esperando o ônibus, Alzira se perguntou por que trabalhava tanto e com algo que não gostava. Porque acordava cedo, ia pro trabalho e voltava? Não era pelo dinheiro, porque seu trabalho não pagava tão bem assim. Certamente, não era por prazer, porque prazer era a única coisa que ela não sentia ao redigir aqueles relatórios. Também não era pelos amigos, porque trabalhava num desses cubículos onde a única respiração que se pode ouvir é a sua. Então porque isso, Alzira?

Chegou a conclusão de que era porque foi sempre assim. Ela sempre fez o que tinha que ser feito. Sempre achou que sua vida tinha que ser como os planos que fez enquanto ainda era criança. Tinha que estudar, terminar a faculdade, arrumar um emprego, se casar e ter filhos. Nunca pensou no que viria após isso, e foi isso que ela fez. Estudou, formou-se, arrumou um namorado, arrumou esse emprego e só depois casou. Os filhos ainda não tinham vindo e, às vezes, ela parecia até agradecer por isso. Agradecia porque assim, sua vida insistia em sair dos planos que ela mesma tinha traçado. E isso lhe dava a sensação de estar novamente no comando do seu destino.

“Nove e quarenta e nada desse ônibus chegar”, pensou Alzira enquanto olhava, a contra gosto, para seu relógio de pulso. Olhou para a rua, viu pessoas andando apressadas, num ritmo caótico, cada uma para um lado, ninguém sorria, ninguém parava pra conversar porque não dava tempo e parecia que todos tinham trabalho a fazer. Então ela se perguntou se esse era também o plano que todos tinham feito para suas vidas, e que todos deviam ser realmente péssimos em planejamento, porque ninguém parecia feliz. E se felicidade não era o objetivo do plano, o que deveria ser?

O ônibus chegou as dez pras dez. Alzira subiu, pagou a passagem e buscou um lugar ao fundo, pois não gostava de atravessar o ônibus inteiro depois quando estivesse na hora de descer. Ao ver um senhor dormindo na cadeira ao seu lado ela perguntou se seu plano era mesmo ruim, ou se a vontade de fazê-lo funcionar a impedia de admitir seu erro e procurar um novo plano, uma nova vida. Enquanto divagava um pouco mais sobre sua vida, ela escutou um garoto, que acabara de chegar ao ônibus, dizer para o seu colega: “Ainda falta tanto tempo para as férias! Queria que dezembro chegasse logo!”

E só então Alzira percebeu que ainda tinha muito tempo, que ainda podia errar, admitir seus erros, ainda dava tempo de ser feliz, de tentar de novo, afinal, ainda faltava muito até o final do ano. E se em dois meses tudo pode mudar, tudo podia acontecer nos muitos anos que Alzira teria pela frente.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Solidariedade

Outro dia eu descobri que o altruísmo é egoísta. A primeira vista, essa frase parece meio incoerente, não é?

Procurando da Wikipedia, encontrei a seguinte definição:

"Percebida muitas vezes como sinônimo de solidariedade, a palavra "altruísmo" foi criada em 1830 pelo filósofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a se dedicarem aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específicas e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas)"

Então o que aconteceu? A Érika ficou doida? Num parágrafo ela diz que o altruísmo é egoísta e no outro ela diz que um conceito se opõe ao outro?

Calma! Ainda não fiquei maluca.

Há quem diga por aí (Richard Dawkins, principalmente) que nós somos pequenas máquinas de sobrevivência dos genes. O nosso corpo é apenas uma configuração estável que sobreviveu devido a sua imensa capacidade de adaptação ao meio. Nossos bracinhos são desse jeito porque nossos ancestrais que tinham bracinhos assim tiveram mais sucesso do que os que não tinham, ou seja, conseguiram passar seus genes de “bracinhos desse jeito” pra frente. No livro “As origens da virtude”, o autor Matt Ridley discute, também, as características altruísticas das espécies. Seres que tinham uma “empatia” pelos seus semelhantes tinham mais sucesso evolutivo do que aqueles que não tinham, então esse comportamento foi selecionado. Dessa forma, não só as características físicas, como também as comportamentais, passaram pela seleção natural.

Em linhas gerais, nós só somos solidários porque os nossos semelhantes, mal ou bem, compartilham os nossos genes. Logo, se o seu irmão, que pode ser “metade você”, estiver passando um perrengue, você vai ajudar. Se ele sobreviver, os genes dele sobrevivem, ou seja, os SEUS genes sobrevivem. Isso, pra mim, caracteriza um comportamento egoísta.

E o mais interessante é que isso não vai de encontro com a definição de altruísmo que eu dei lá em cima. Só porque o seu altruísmo é egoísta, você não deixa de se dedicar aos outros seres humanos. E a Teoria dos Jogos ainda explica tudo isso...

A matemática é linda!!!

Ah! Eu não sou bióloga, nem considerei os aspectos socio-antropológicos do assunto. Logo esse texto foi escrito por uma leiga que está tentando dividir com o público a sua interpretação de dois livros que ela acabou de ler. Se alguém quiser saber mais sobre o assunto, eu sugiro os livros: “O Gene Egoísta” e “As origens da virtude” ou uma rápida conversa com a Taíssa e a Zaíra (antes que ela me bata hihih =*).

Eu escrevi esse texto só porque vou visitar uma creche no dia 12 de outubro. Então eu parei pra pensar porque eu estou ralando tanto na Serenata de Natal. Será que é por causa dos meus genes?:-P Prefiro não pensar...

Bem, eu acho que o motivo não importa. O que importa é que o dia das crianças / natal de muita gente vai ser mais feliz porque mais pessoas pensam como eu, né? ( Sem querer me gabar )

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

So damn lucky

Eu quero escrever. Quero escrever desde ontem quando saí do show. Mas eu simplesmente não tenho palavras. Não tenho palavras para me expressar porque elas fogem de mim, como as borboletinhas fugiram do meu cabelo lá no corcovado. Elas teimam em não se manterem na ordem que eu quero, porque nenhuma ordem parece expressar o que eu sinto. Se eu tivesse que resumir em uma palavra, eu diria que não consigo. Nem em uma, nem em mil, nem em palavras infinitas...
Porque hoje o infinito parece pouco, pequeno diante da alegria que eu sinto. E parece pouco, também, o tempo que eu esperei...
Já as cinco horas dos shows parecem enormes, infinitas. E nesse caso, o infinito é mesmo bem grande. E concentra toda a alegria dentro de si. Nunca pensei que fosse possível encontrar essa felicidade. Porque é uma felicidade diferente, é aquela felicidade que persiste e insiste em não parecer real. Assim como não pareceram reais o show, as músicas, os encontros e as pessoas que me acompanharam nessa jornada maravilhosa. As pessoas que cantaram juntas, cada versinho, cada palavrinha de cada música. As pessoas que acompanharam meu vício, que estavam ali, pertinho e dentro do meu coração, mesmo que não estivessem (vocês dois) presentes para compartilhar o momento comigo. Tudo isso contribuiu para o meu estado de êxtase, que foge das palavras que tentam limitá-lo... porque ele é infinito e, sendo assim, é incontável e imensurável e se irrita com a droga dessas palavras que não compreendem a sua grandeza.
As palavras também me fugiram quando o Dave perguntou se podia tirar uma foto comigo. Parece loucura, mas eu não consegui me expressar... mas eu tenho fotos que comprovam que foi de verdade. Eu conheci o Dave, me desapaixonei por ele (mas foi lindo mesmo assim) mesmo depois de ter compartilhado um abraço com ela (que veio lá de Olinda) me apaixonei pelo Stefan... que é a simpatia em pessoa. Até deixou eu reclamar porque não teve "The dreaming tree" no show (logo depois de ter o abraçado e agradecido por Crush eu dei a bronca) !!! Seria lindo colocar o vídeo de "The dreaming tree" num blog que se chama "Dreaming 3"...
Mas quem é louco de ligar para isso quando ouviu "#41" duas vezes e com "Sojourn of Arjuna"? Quem se importa, se esteve presente quando eles abriram um show com "Two Step" e o outro com "Bartender"? Eu ouvi "Crush" ao vivo, e me espantei por ter chorado mais em "Crush" do que em "#41". Ultimamente eu ando muito mais pra "Crush" do que pra "#41"por causa de você, que é "too much, e com quem eu quis (e tentei ) compartilhar a música. Você estava comigo, mesmo que estivesse longe... e ela também estava!!! E eles tocaram em sua homenagem, a "Say Goodbye" mais impressionante que eu já ouvi e que, nem em sonho, eu imaginei que existisse. Que solo de bateria foi aquele? Palmas para o Carter e para o Carlos Malta, presença super inesperada! =)
Eu me arrepio só de pensar nesses shows!!! Eu sou realmente "So Damn Lucky" (como dizia a minha blusa) e como eles cantaram no Rio e em São Paulo... "So Damn Lucky" por ter ouvido a música que os levou as lágrimas. Eu estava lá!!! Ouvindo "Ants Marching" com ela, que há 5 anos, entediada em uma aula, me fez uma carta com a letra dessa música. Eu vi o Dave saindo do Microfone e deixando a gente cantar "People in every direction, no words exchanged, no time to exchange". Eu ouvi "Warehouse", "THE STONE"!!! "The Stone"que, por muitos anos, foi a música da minha vida, que por muitos anos me descreveu. Eu ouvi "Dancing Nancies" com um lindo "lost somewhere in São Paulo"! E ouvi "Crash into me" numa noite fria e nublada, no exato momento em que as estrelas venceram as nuvens e deram o ar da sua graça. E teve "Cornbread", "Eh heee", com uma piadinha ótima do Dave...
E os meus amigos estavam lá! Amigos que eu conheci da forma mais improvável, mais inesperada. Amigos que eu conheci no mIRC, no orkut, amigos de perto e de muito longe. Amigos que são de verdade agora... que várias vezes tocaram violão pra mim, que várias vezes trouxeram DVDs aqui pra casa pra gente ver o "novo dvd da DMB que acabou de sair", amigos com quem eu compartilhei tantos momentos especiais. Amigos que não são mais amigos de DMB, mas que são amigos da vida, amigos pra sempre... Amigos que eu já conhecia de verdade, amigos que cantavam "Don't drink the water" pelas madrugadas dentro de um estúdio, e amigos que antes eram só virtuais. E todos eles cantaram juntos "Lately I've been feeling low..." quando o Dave desistiu de cantar porque a platéia cantava mais alto que ele...
E pra completar a festa, vieram os balões! Porque festa que se preze tem que ter balões. Mas esses foram balões diferentes... foram balões cheios de alegria, mas que, em conjunto com o "Fofinho" e o homem que toca dois instrumentos de sopro de uma vez, tentaram preencher o vazio que ele deixou. Foram balões de agradecimento e reconhecimento pelo trabalho que ele fez em uma vida, pelo trabalho que enfeitou tantas músicas, que embalou tantos momentos, pelos solos de sax que fazem parte da trilha sonora da minha (e de tantas outras) vidas... balões que vieram na hora errada, mas que fizeram do solo de #41 o momento mais perfeito de sua existência. O momento mais perfeito da MINHA existência.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bonheur

Je suis trés heureuse maintenant...

O despertador toca as 7:00.
Por que eu tenho que acordar?
Estou de férias!!! Mas nem parece....

Pra mim, férias estão associadas a preguiça. Momentos de solidão no sofá, no parque, ou aquela solidão gostosa que é acompanhada por um bom livro. A solidão que me faz acordar e ir patinar, ouvir música e pensar na vida, na preguiça, e no dia de voltar a estudar.
Essas férias são diferentes. Primeiro porque não são férias. Foi um grito de desespero, um "basta", um "o que eu estou fazendo da minha vida?" que pela primeira vez, em anos, eu consegui compartilhar com todo mundo. São férias de reflexão, mas que ainda não desempenharam muito bem a sua função...
A solidão das férias, dessa vez é acompanhada. Acompanhada por alguém que só poderia mesmo existir dentro da minha curva de probabilidades, e por isso mesmo, eu ainda custo a acreditar que é de verdade. Será uma ilusão? Alguém me belisca? Alguém que me surpreende a cada palavra, a cada linha, a cada refrão... você que alegra minhas tardes, minhas férias, minha vida. Faz até o meu prejuízo parecer gostoso e divertido...
Alguém que eu vou abandonar por um tempinho, enquanto eu realizo outro sonho...
Mas pode deixar, que eu volto logo ;)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Is this real, or am I dreaming?

O mundo está caindo, mas eu estou feliz. A vida não parece real, tudo está tão bom...

Is this real, or am I dreaming?

 O calor não incomoda tanto. Os dias passam felizes, vagarosos e prazerosos como sempre deveriam ser. A companhia é tão agradável que dá vontade de pedir pro tempo parar...

Mesmerized by your smile and the way it lights up under your eyes

 Não sinto ansiedade, mas aquele frio na barriga insiste em não passar. Faltam 9 dias. NOVE DIAS, mas eles não enchem minha mente (como deveriam encher, afinal, eu já espero por isso há 8 anos) Os dias passam e, só por alguns segundos, eu lembro dos nove dias. Era pra ser assim mesmo? Eu acho que não! Mas está tão bom...
Quando eu lembro dos nove dias, eu lembro que já fazem 8 anos que eu ouvi a primeira nota, a primeira frase, que eu senti meu coração disparar por aquela música. Fazem 8 anos. E quanta coisa mudou nesses 8 anos... será que eu ainda posso dizer que "eu" ouvi aquelas primeiras notas? Porque esse "eu" atual, é diferente daquele "eu". 
Eu sinto até alguma saudade daquele "eu". Daqueles sonhos, daquelas expectativas, daquela vida, daqueles amigos. Mas, o que eu posso dizer é que esse "eu" atual é melhor! Felizmente, esse "eu" não quer cantar :P

23 and so tired of life, such a shame to throw it all away

Mas, definitivamente, esse "eu" foi influenciado por aquele momento de 8 anos atrás. Posso dizer que conhecer a Dave Matthews Band mudou a minha vida. 

Amazing what a minute can do

Não vou falar que a banda mudou minha vida porque eu sigo religiosamente o que as letras das músicas dizem ou que eu tenho uma foto do Dave no teto do meu quarto (calma, eu não tenho :P). Mas eu posso dizer, sim, que conheci pessoas maravilhosas só por gostar de DMB e que elas mudaram a minha vida. Posso dizer que vivi coisas momentos inesquecíveis com essas (e outras) pessoas, e que ainda espero viver muitas outros. 

See you and me, have a better time than most can dream

E faltam só 9 dias! Só 9 dias pra realizar esse sonho...

Dream, little darling. Dream...

 O mundo está caindo, estou cheia de dúvidas, cheia de incertezas, mas por outro lado eu estou feliz, feliz, feliz, como há muito tempo não me sentia e ainda existe (muito)  pra comemorar, não é maravilhoso?

Celebrate we will 'cause life is short but sweet for certain


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Vinicius, o filme


video

O filme que eu vi é do Vinícius. A música é do Tom, mas essa versão é cantada pelo Toquinho. Três motivos para amar a "poesia-música" brasileira. E todos os motivos para pegar (algumas) palavras emprestadas.

Esse seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar é pensar que você
Gosta de mim como eu de você
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração
De quem sonhou, sonhou demais
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

sábado, 13 de setembro de 2008

Souvenirs

Outro dia descobri que o verbo "Souvenir" em francês significa lembrar-se. Sim, eu demorei um bocado para perceber, mas mesmo sendo óbvia, fiquei encantada com a descoberta. 
Souvenir é uma lembrança! Uma lembrancinha, uma recordação. Como canceriana, eu adoro recordações e lembrancinhas que me façam voltar ao passado (mas não viver só dele, apesar de ser vascaína. =P). 
Engraçado ver a infinidade de associações que nós fazemos com simples objetos, fotos, cheiros ou músicas. Não importa quanto tempo tenha se passado desde um determinado acontecimento que, quando você olhar para a sua lembrancinha, os sentimentos vão voltar. A alegria de ter encontrado alguém querido, a dor da perda (cheiro de lavanda), as tardes preguiçosas da sua infância (coca-cola de garrafinha) ou a ansiedade "pré-prova". Essa última eu associo a "Hey Jude" dos Beatles, graças a Taíssa. 

Eu posso dizer que a minha vida é uma coleção de "souvenirs" de todas as formas, cores, cheiros e para todos os gostos. 

Há uma "música" da Adriana Calcanhotto (não tenho certeza se a letra é dela), que começa assim:
Armar um tabuleiro de palavras-souvenirs.
Apanhe e leve algumas palavras como souvenirs.
Faça você mesmo seu micro tabuleiro enquanto jogo linguístico
O meu "micro-tabuleiro" teria hoje, com certeza, as seguintes palavras: "urso panda", "parque da cidade", "cachorro quente",
"crise de riso", "corcel", "fusca", "janela", "Pehaps, Pehaps, Pehaps", "castelinho", "Spoon", "landscape blue", "lavanda", "UOMINI", "Be a flower",
"espirobol", "cheiro de asfalto", "mousse de maracujá", "milho cozido", "narguilé", "coca cola de garrafinha", "juiz veado", "adesivos", 
"banquinho de silicone", "ovo com café", "tuiuiú", "colã", "perna sem pele", "manteiga" e "metrô".

É impossível citar todas as músicas-souvenirs, filmes-souvenirs e lugares-souvenirs. São 23 anos de lembrancinhas acumuladas. O mais legal é que cada palavrinha do meu micro-tabuleiro me lembra um momento, uma época,  e, inevitavelmente, as pessoas que me acompanhavam. Minhas lembranças mais fortes são ligadas a cheiros. Cheiro de pipoca doce me lembra escola, cheiro de manteiga me lembra minha antiga casa. Cheiro de Brigadeiro lembra janela, por-do-sol e "All I want is you". Cheiro de "UOMINI" lembra o Pátio Brasil e cheiro de "Be a flower" me lembra friozinho na barriga. Pena que pararam de fabricar...
Pararam de fabricar "friozinhos na barriga". Mas eu ainda tenho um pouquinho guardado para ocasiões especiais. Afinal, ainda tenho muitos anos de acúmulo de souvenirs =P
"vida é um souvenir made in Hong Kong"

Boas lembrancinhas ;)


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Probabilidades

Qual é a probabilidade de sair de casa e encontrar outras duas pessoas usando a mesma roupa que você num bar?


Qual é a probabilidade de sair de Brasília, se hospedar em um hotel no Rio de Janeiro e encontrar, no saguão, a sua tia do Piauí?
Qual é a probabilidade de ver um acidente de carro acontecendo? De ver uma árvore no exato momento em que ela cai, num dia ensolarado e sem vento em Brasília? (isso aconteceu hoje, aqui na UnB!)
Qual é a probabilidade de um professor na faculdade, que você nunca ouviu falar, ser seu primo distante? Ou então, encontrar alguém na fila do visto para os Estados Unidos, e conversando descobrir que ele é amigo de 20 amigos seus e fez mestrado no mesmo laboratório? De ir para Nova York no único inverno, em 40 anos, que não nevou no natal ? Nadar com um pinguim em uma praia tropical? Não gostar de camarão e encontrar, em uma porção de 12 pastéis, os únicos 3 pastéis de camarão? (Tá, essa é fácil de calcular =P)
Pois é... tudo isso aconteceu comigo nos últimos dias!!! As vezes eu paro e penso: É só comigo que isso tudo acontece?
Para aqueles que entendem um pouco de probabilidades, eu acho que estou sozinha nas pontinhas da curva gaussiana (em rosa no gráfico). Bem naquela região de coisas improváveis, enquanto o mundo inteiro se encontra na parte azul. =/
Será que eu atraio tudo isso? Que forças ocultas no universo determinam que acontecimentos estranhos se concentram em uma pessoa só :-P?
Ah! Eu também já saí de casa no exato momento em que um tiroteio acontecia na ASA NORTE.
Quem mais já passou no meio de um tiroteio em plena terça-feira as 7h50 da manhã, na Asa Norte?

"And isn't it ironic ... don't you think ? "

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Personagem de HQ :)

Excelente! Hoje eu descobri que alguém fez uma personagem de tirinhas que...
retrata a história da minha vida! hahaha Ela faz até engenharia elétrica, corrige relatórios e vai a congressos apresentar trabalhos!

Oh my!!!! Divirtam-se =)

Eu no domingo retrasado, indo pro Rio:
Eu também não sei explicar de forma normal o que eu faço =P E o pior é que não deixa de ser o que ela explicou para o moço. "Optimal power allocation" hum. hehehehehe
Também me senti assim, pra variar!!!! 
Eu na sexta-feira, antes de apresentar: "Até as borboletas na minha barriga estão vomitando"
Sim sim vai acabar! e eu penso: Ninguém vai perguntar nada.
Mas alguém sempre pergunta!!!!
Eu na sexta, exceto pela parte do: "Most exciting results in the field in years" e principalmente pela parte: Wait, you actually think this stuff is good for something?
Eu no domingo:




domingo, 7 de setembro de 2008

Lost somewhere in Rio


"Copacabana princesinha do mar"

Engraçado como as coisas e pessoas podem nos surpreender. Quando eu saí de Brasília, saí empolgada e com medo. Empolgada para reencontrar a Zazá depois de 2 anos... com medo de me expor, de apresentar um trabalho, de ser julgada, de não ser aceita. Em nenhum momento eu me senti empolgada pelo fato de ir ao Rio de Janeiro porque pra mim ele era apenas um pano de fundo para uma semana um tanto confusa da minha vida. E ele me surpreendeu.
Me surpreendeu pelo charme, pela beleza, pela magia, pela amizade. Me surpreendeu pelo mar, pelo ventinho fresco da praia, pelos pinguins na água (?), pelo carinho de uma amizade que mesmo distante se fez presente, e agora com mais um integrante. Me surpreendeu pelo reconhecimento, pela certeza de ter medos infundados, insanos e injustificados.
Confesso que nunca, mesmo já tendo visitado o Rio, o considerei uma cidade maravilhosa. Pra mim, era uma cidade turística normal, com problemas conhecidos e um lugar que eu não tinha tanta vontade de conhecer.
Eu tenho o meu ritmo brasiliense em vias largas, meu céu sempre visível e sempre azul, minha secura, minha calma, meu sossego, meu aconchego, meu cerrado, minha paz. O Rio me trouxe alegria, me trouxe vida em abundância (e passeando pela rua), me trouxe um choro escondido dentro de um bar ao por-do-sol. Me trouxe uma caminhada longa, gostosa, regada a sorrisos e esperanças. O Rio me devolveu as famosas borboletinhas que se escondem no estômagos dos apaixonados e a esperança de que tudo que é ruim vai passar...
Agora eu entendo porque existe a boemia, a bossa-nova, e até a malandragem eternizada nos versos do Chico Buarque. Hoje eu não quero pensar no Rio que só conheci pelos jornais, o Rio feio, que envergonha o Brasil e a si mesmo. Hoje eu quero pensar em Ipanema, no mar de Copacabana, no Arpoador, nos arcos da Lapa e, quem diria, até nos braços abertos do Cristo Redentor.
O Rio conseguiu o improvável pra mim. Hoje eu sou apaixonada por mais uma cidade, que não é Brasília.

sábado, 30 de agosto de 2008

Chove chuva!


Eu tenho alguns vícios (muitos , pra falar a verdade). Quem me conhece sabe! Sabe que eu sou perdidamente apaixonada por uma banda, louca por alguns filmes e que, volta e meia, eu me perco assistindo alguns seriados. O seriado da vez é Gilmore Girls. Tudo bem, é um seriado de mulherzinha!!! Mas, como mulherzinha que sou, não pude deixar de me envolver com a história das personagens: Lorelai e Rory Gilmore.
Bem, entre um milhão de manias interessantes da personagem principal, uma é relacionada com o clima: em todas as temporadas, acontece alguma coisa maravilhosa no primeiro dia de neve. Depois de cinco temporadas, eu até que comecei a achar charmosa as expectativas dela na primeira neve do ano. Em uma temporada ela encontrou o homem de sua vida, na outra, a filha dela encontrou o homem da vida dela (tudo bem, tudo bem... o homem da vida até o fim da temporada hehehe)
Eu comecei a me sentir um pouco decepcionada por morar em um país tropical e nunca ter visto "nevar" na minha vida. Poxa, será que eu não posso associar fenômenos climáticos às coisas boas que acontecem , só porque eu moro aqui, onde nunca nevou e nunca vai nevar?
Enfim. Resolvi comemorar algo que é tão esperado aqui em Brasília quanto a neve é em alguns lugares. Vou comemorar o primeiro dia de chuva! E, senhores, o primeiro dia de chuva é hoje!
Depois de quatro longos meses de seca, eu volto a ouvir o barulinho gostoso na telha aqui de casa! Aquele cheirinho característico, aquela sensação gostosa de não ter sua pele descascando quando você esquece de colocar o hidratante.
A grama vai ficar verdinha dentro de alguns dias, meu carro vai ficar com marcas de pingos de chuva, ao invés de ficar com marquinhas de poeira vermelha... E eu vou, finalmente, sentir um ventinho fresco no rosto! Vou me preocupar com o sapato que vou usar pra sair, pra não voltar pra casa com o pé encharcado! Vou sair correndo de todos os lugares quando começar a chover =)
E, o mais impressionante disso tudo é que ainda nem é setembro!!!!
Eu me lembro de alguns bons "primeiros dias de chuva". Lembro de um sete de setembro em que saí pra uma parada militar com meus pais. Fomos andando (e voltamos correndo!!!) daqui de casa até o setor militar urbano. E lembro também do casamento da minha prima. Lembro de outro ano, em que eu tomei banho de chuva enquanto voltava do passeio de bicicleta... porque eu simplesmente não achei que iria chover!!! Ou então, de quando eu voltava da academia com a Taíssa, as duas espremidas embaixo de um guarda chuva e cantando: "Singing in the rain".
O primeiro dia de chuva sempre pega de surpresa! E, no caso da minha prima, também. Ela tinha preparado uma cerimônia ao ar livre. Xiii...
Nesse ano, o primeiro dia de chuva coincide com a véspera de um grande, e esperado, reencontro. Depois de dois anos eu volto a ver a minha amiga, zazá. Definitivamente, esse é um evento que merece ser guardado na galeria de "melhores dias de chuva".

Desejo que todos os nossos "primeiros dias de chuva" nos tragam boas notícias, velhos amigos, boas lembranças e que sejam, eternamente, comemoráveis e inesquecíveis.

"Raindrops keep falling on my head"

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Velho e o Mar


Hoje estou sem idéias pra escrever. Resolvi compartilhar a figurinha que está no meu desktop agora... e ela me lembrou de um livro que eu li há uns 10 anos: "O Velho e o Mar".

É estranho de repente notar que eu começo a me referir a coisas que aconteceram há 10, 15 anos. É estranho notar que o tempo passa, e passa cada vez mais rápido. E que coisas que antes estavam no nosso passado recente, agora estão no nosso passado distante, muito distante. Essa foto, por exemplo, estava no meu passado recente, mas agora percebi que ela foi tirada há um ano e meio...

O mesmo equivale para o futuro. Até semana passada eu estava falando que deveria fazer uma inscrição até o final de agosto. Sempre falava: "Ah, é só no final de agosto". Mas o final de agosto é agora!!! Setembro já está aí... tenho que correr pra reservar hotel, fazer inscrição, pagar contas. O Tempo não pára, nem por decreto, nem por desejo, nem por alegria, nem por vontade...

Acho que a melhor foto pra hoje não seria a do velho contemplando o mar, ou lendo o seu jornal... E sim a do quadro do Goya: Chronos engolindo seus filhos:

Bem, deixa eu correr, senão não vou chegar ao ensaio da serenata a tempo!!!


"Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final"

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Preconceito





Hoje, em um pequeno passeio pelo mundo blogueiro, (até que é interessante :) ) li um texto no blog da Carla, sobre preconceito contra a mulher. No texto ela comenta que , até uma certa entrevista de emprego, nunca havia sentido na pele o preconceito contra a mulher. Infelizmente, eu não tive a mesma sorte.
Essa tirinha resume, em parte, como eu me senti na faculdade de engenharia. Uma única mulher em um ambiente povoado por homens. Sempre fui tratada muito pelos colegas e professores. Fui tratada como igual, até em momentos em que quis ser tratada de forma diferente....
O engraçado é que o preconceito veio de onde menos se esperaria que ele viesse: de um professor universitário. Dá pra acreditar? Eu também não acreditei.
Mas acreditem, aconteceu!
Lá pelo meio do terceiro semestre eu cometi um erro no laboratório. Alguns segundos depois eu tive que ouvir: "Tinha que ser mulher". Comentário desnecessário, ainda mais de onde ele veio. Em pleno século XXI, em um ambiente acadêmico, é absurdo que ainda existam pessoas com essa mentalidade!
Não é estranho existirem mulheres na engenharia. Somos tão capazes quanto os homens, tão responsáveis quanto eles ( ou mais responsáveis ) e é extremamente provável que nós tenhamos os menos interesses, caso nos seja dado o mesmo tratamento desde a infância =P. O fato de estarmos em menor número não implica na nossa incapacidade.

Infelizmente, Carla, ainda existe o preconceito contra a mulher. Seja de uma forma explícita, como eu relatei, ou de uma forma implícita, como a que você descreveu no seu blog.
A pergunta continua sendo: "Será que um dia a gente chega lá?"

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Bem-vindos

Standing here the old man said to me " long before these crowded streets, here stood my dreaming tree"

Resolvi criar um blog. Tá, depois de dois exemplos bem sucedidos, eu me mordi de inveja e resolvi espalhar um pouco dos meus devaneios pela internet.
Que complicado é criar um blog!!! Complicado porque eu não consegui achar o que eu queria dentre as poucas opções de layout que eles ofereciam =/ (Eu acho que logo logo vou mudar)
Queria algo que não fosse nem alegre, nem triste, nem bonito, nem feio, nem suave, nem agressivo...
O preto daria uma idéia errada. A última coisa que quero agora é parecer EMO... o branco é vazio, o Rosa é ... rosa (eu já sou soprano, não preciso de mais rosa associado a minha imagem), o azul já está sendo usado, o laranja é feliz...
então me sobrou o verde. E do verde, veio a árvore que deu nome ao blog e ao fotolog.

É isso. Bem-vindos ao novo projeto dreaming3... espero que ele seja mais povoado que o fotolog! =)