sábado, 16 de outubro de 2010

Desabafo

Não me considero uma pessoa politizada. Não costumo ler muitos jornais e revistas políticas. Praticamente tudo que sei sobre política eu acompanho pela Internet ou em algum dos raros momentos em que consigo assistir o jornal da televisão. Não estou orgulhosa disso, mas achei necessário colocar aqui para deixar explícito que o texto é um desabafo de como eu estou me sentindo durante essa campanha eleitoral. Fiquem a vontade para discutir, ou contestar o que eu escrever.

Hoje gostaria de compartilhar um desabafo, uma indignação e uma preocupação. O desabafo é: eu não sei em quem votar. Não quero votar nulo ou branco, mas não vejo outra alternativa. E eu estou realmente preocupada com isso. Sei que dificilmente um candidato corresponderá às minhas expectativas completamente, mas hoje eu sinto que nenhum dos dois corresponde nem parcialmente a elas. Por um simples motivo: questão de caráter - o que é absurdo, concordam? Eu estou deixando de votar em um representante político por que eu não concordo com os valores dele, e não por causa de suas propostas políticas.

Quando uma campanha política é construída a partir de ataques - e não de propostas - de religião - e não de economia - de opiniões - e não de fatos, ela perde o sentido. Eu não estou interessada na opinião dos candidatos sobre o aborto. Eu não quero saber se a Dilma é ou deixa de ser lésbica, se o Serra é a favor ou contra o casamento gay, se eles se aliaram ou não aos católicos e protestantes. Eu não tenho religião, mas continuo sendo uma cidadã brasileira. E, como tal, eu sinto que nenhum dos dois vai me representar; assim como ninguém vai representar os homossexuais, os ateus, as mulheres que querem abortar, os budistas, os espíritas e os praticantes do candomblé. A humanidade lutou tanto para que a política fosse independente de tudo isso, mas parece que o esforço foi em vão.

Como cidadã brasileira, eu tenho as minhas preocupações individuais - como trabalho, minha saúde, impostos que eu vou ter que pagar, ou deixar de pagar - e as minhas preocupações coletivas. Não, eu não olho só para o meu umbigo. Eu quero que o Brasil cresça, que a população tenha uma educação de qualidade, acesso à saúde, segurança e todas essas coisas que os candidatos adoram repetir na TV - entre o aborto e a caça aos votos dos religiosos, se sobrar tempo, é claro.

Como cidadã brasileira, eu quero ter acesso à verdade. Eu quero saber quanto o Brasil cresceu nos últimos anos, eu quero saber se o desemprego diminuiu, como anda a qualidade da saúde. Eu não quero saber a taxa de analfabetismo. Em um país onde Tiririca é o deputado mais votado, dizer se uma pessoa é analfabeta ou não é besteira. Eu quero saber o que é considerado analfabetismo, e quantas das pessoas "alfabetizadas" conseguem interpretar um texto, porque essa sim é a estatística relevante nessa comparação. Eu não quero ouvir se o programa "Minha casa, minha vida" construiu 1 milhão de casas, e logo depois ouvir que o mesmo programa construiu só 150 mil casas. Eu não quero saber quantos brasileiros têm acesso à saúde pública, mas como é a qualidade do atendimento: quantos conseguem ser curados, quantos morrem por falta de vagas ou equipamentos. Eu quero saber a verdade, mas onde ela está? Infelizmente, eu parei de acreditar nos números. Como diz meu irmão, papel aceita qualquer coisa e é impossível checar tudo. Eu estou tentando, acredite! Estou, nesse momento, com a página no IBGE aberta e procurando os números, mesmo que eu não confie, porque é melhor que nada.

Minha indignação é essa: Não sei onde está a verdade. Eu escuto que o Brasil melhorou, que mais gente tem acesso à educação, mas eu continuo vendo uma criança de 14 anos, que está na sétima série, não saber escrever o próprio nome: esse é o milagre da aprovação automática. Eu vejo a saúde sucateada, mas os números da saúde crescendo. Eu vejo comparações enviesadas, os mesmos números sendo utilizados contra e a favor dos candidatos. Afinal, tudo depende da forma como você olha, certo?

Eu não quero saber se o FHC gostou do que o Lula fez, ou vice-versa. Eu não quero saber só o que a Dilma fez, ou só o que o Serra deixou de fazer. Eu quero saber o que eles pretendem fazer para conter o crescimento da dívida pública. De onde eles arrumarão dinheiro para bancar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 - um belo presente de grego, na minha opinião - e como eles diminuirão o desvio de verbas. Também quero saber como eles vão manter o ritmo de crescimento de forma sustentável, pois eu não acho que essa seja apenas uma preocupação dos "verdes". Eu quero propostas concretas para a solução de problemas concretos.

E aqui eu concluo, com a minha preocupação. Enquanto estivermos ouvindo somente opiniões, estaremos escolhendo o futuro do país pelos motivos errados. Estaremos escolhendo a Dilma porque ela é contra o aborto ( ou porque achamos que o Lula é o pai do bolsa família), e o Serra porque ele vai dar o décimo terceiro para o bolsa família (ou porque o FHC fez o plano real).

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quando é hora de mudar?

Ultimamente, tenho notado um comportamento persistente e que eu gostaria de mudar:

Nunca estou feliz com nada.

Se estou trabalhando, estou infeliz, porque aquele ainda não é o emprego que eu gostaria de ter. Se não estou trabalhando, estou infeliz, porque me sinto um peso para a sociedade (mas feliz, porque pelo menos em casa, ninguém me destrata). Se estou no mestrado, quero não estar no mestrado (que bom que isso já acabou). Se estou de férias, quero querer férias (isso mesmo). A maioria das pessoas pra quem conto que estou uns dias sem "fazer nada" me dizem: "poxa, como eu gostaria de estar assim". Mas eu não.

Eu tenho uma angústia de querer estar "no resto da minha vida". De querer estar com as pessoas que passarão o resto da minha vida comigo. De querer morar na casa onde passarei "o resto da minha vida", e no emprego que também terei o resto da minha vida.

O fato é que eu nunca estou feliz onde estou. Nunca estou em paz com o meu corpo, com as minhas atividades, com as minhas idéias. Essa inquietação de não se estar onde se quer é horrível. E nunca acaba, não importa onde eu esteja. E o pior é que eu nem sei onde eu quero chegar.

O fato é que o tempo não espera eu definir minhas metas para passar. Mais uma vez, eu me lembro do quadro do Goya, que já postei aqui: "Chronos engolindo seus filhos". Sinto que o tempo está me engolindo lentamente e de forma impiedosa, enquanto eu espero a inspiração chegar.

Outro fato é que quem não sabe pra onde ir, não vai pra lugar nenhum. E hoje, é assim que eu me sinto:

"Stuck in a moment, and you can't get out of it", como se eu tivesse um grande botão de "pause" sobre a minha vida, enquanto o cronômetro do filme vai passando. Dá pra entender?

Eu queria mesmo é ter um grande botão de "foda-se" de vez em quando pra apertar e jogar tudo pro alto.

domingo, 4 de julho de 2010

De tudo ficaram três coisas...

Hoje vou colocar só uma citação do Fernando Sabino, em seu livro "O Encontro Marcado":

De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!

Porque hoje eu me sinto um pouco como o protagonista da história, o Eduardo Marciano.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Adeus, Lost

Se você ainda não viu o último episódio da série, vai um aviso: o texto contém "litros" de spoilers.

Seis anos. Seis longos anos de mistério, indagações, teorias malucas e, no final, o primeiro palpite estava "quase" certo. Eu tinha só 18 anos quando a série começou, e hoje estou aqui, no auge dos meus 24, como comecei: sem saber ao certo sobre o que se trata. Mas com uma teoria que me satisfaz (e que tive bastante trabalho em aceitar).

Minha primeira teoria sobre lost foi que a ilha era um purgatório. As pessoas que estavam no avião caíram ali, depois de mortas, para pagar seus pecados. E essa era a razão dos "flashbacks" constantes na série: mostrar que todos ali mereciam aquela situação. Ninguém tinha uma vida muito boa antes da queda do avião e agora todos estavam pagando por isso.

Essa teoria logo foi descartada, surgiram outros problemas mais importantes: quem eram os outros? O que era a escotilha? Por que o número 108 era tão recorrente na série? O que diabos era a iniciativa Dharma?

Então fui pesquisar. Quem eram os outros e o que era a escotilha? Bem, isso foi respondido pela série. Pesquisa número 2: o que é Dharma?

Bem, também segundo a wikipedia (não usem essa fonte em pesquisas científicas) - dharma pode ser visto como o caminho para a verdade superior, a iluminação do budismo, sabe? O caminho para a libertação da roda do samsara - o ciclo de reencarnações (isso não parece espiritismo?). Para nós, ocidentais, arriscaria dizer que é a palavra mais próxima é destino (ou missão?). (FATE, como escrito na mão do Charlie no primeiro episódio da série). Ponto pra mim, acho que fez sentido.

Pesquisa 3: O número 108... soma do número dos personagens principais na famosa "Jacob's list". 108, também no hinduísmo tem mais de 108 significados interessantes :P E eu teria que fazer um post só sobre isso. Vou falar de apenas 1: está relacionado com a contagem do tempo hindu, com o número de vezes que respiramos em um dia, com a contagem dos anos para nós e para Bhrama - o criador do universo. Vou falar dele mais tarde.

Continuando com a minha saga, não satisfeitos em terem aberto 108 perguntas sem resposta, os produtores da série inventaram de falar de um tal de efeito casimir, campos eletromagnéticos e aí foi que a coisa ficou feia.

Os fãs da série começaram a viajar na física agora. De repente, eu tinha a teoria que se encaixava em todas as outras: a ilha era um buraco de minhoca (wikipedia: característica topológica hipotética do continuum espaço-tempo - um atalho através do espaço e do tempo)! Uau! Estão usando teorias da física para explicar as maluquices que inventaram na TV. Gostei disso! Tudo parecia ter sentido, porque para se "viajar" por um buraco de minhoca é preciso liberar uma grande quantidade de energia... como aquilo que aconteceu com o Desmond, lembram? Ele explodiu a escotilha e sentiu que tinha voltado no tempo. E isso também aconteceu quando explodiram a bomba atômica - os habitantes da ilha ficaram indo e voltando no tempo. :-D Super divertido... o que será que aconteceria se eles tivessem voltado e matado seus avós? #nerd

O importante dessa fase é o Desmond, que continua sendo o meu personagem preferido. Ele e Eloise Hawking. O Desmond, porque ele é o único que consegue alterar o que aconteceu no passado (o único que não se aplica à regra - o que aconteceu, aconteceu). E Eloise, porque ela sabe o que deve ser feito para que as coisas do futuro sejam do jeito que tem que ser. Confuso, muito confuso. Ah, ela usa um pingente com uma cobra engolindo o rabo - Ouroboros. Um símbolo do "eterno retorno". Seria uma referência à roda do samsara, talvez?

E por três anos, eu achei que tinha descoberto a resposta. Mas então... quem diabos era o Jacob? Por que ele parecia dar ordens a todos mas nunca aparecia pra ninguém? Que inferno. Ninguém explica nada nessa série...

E aí Jacob apareceu. Apareceu conversando com seu irmão em um tempo muito, muito distante, sobre os visitantes. E o diálogo que mais marcou foi: "Eles chegam. Lutam. Destroem. Corrompem. E sempre termina do mesmo jeito" e Jacob responde: "Só termina uma vez. Qualquer coisa que aconteça antes disso é apenas progresso". Hmmm, deixe adivinhar. Samsara? Ouroboros? E o final seria a Verdade superior? A iluminação, talvez? Interessante...

Fugi um pouco dos personagens principais, porque inevitavelmente eu vou falar mais dos que eu gosto. Enquanto tudo isso acontecia nos bastidores, alguns losties morreram, alguns losties mataram, alguns saíram da ilha... e voltaram. Pelo amor de Deus... a desculpa era que "a ilha não tinha terminado com eles". Mas que droga! Que ilha dos infernos!!!!

Na minha interpretação, "a ilha" representava o dharma deles. O caminho que eles deveriam percorrer para atingir a iluminação. E vocês lembram quem os ajudou a voltar pra ilha? A "cumprir" o dharma? Elaaaaa! A mulher do cabelo branco, a inigualável Eloise Hawking! A mulher que sabe tudo sobre o destino dos outros!!!

E então eles voltaram para a ilha. Alguns para os tempos atuais, alguns para 1975. Alguns explodiram uma bomba atômica, alguns ajudaram a matar Jacob, o guardião da ilha, alguns ficaram perdidos e ficaram 16 episódios tentando quebrar o avião. Desistiram no último episódio, porque descobriram que silver tape serve pra tudo. E aí, descobrimos que na verdade Jacob era um grande manipulador, e não um guardião do livre arbítrio, como ele gostava de dizer. Mas era bem verdade que ele só "abria o caminho"para as pessoas tomarem decisões, e não as tomava por elas...

Também descobrimos que o Sr. Locke, não era mais o sr. Locke e sim o irmão sem nome de Jacob, que também era a fumacinha preta pentelha que aparecia desde a primeira temporada, matando boa parte dos losties. Ai que confusão!

E toda essa temporada pode se resumir em um jogo entre o bem e o mal, o yin-yang, entre o seu equilíbrio. O mal (carinhosamente apelidado de Flocke) só existe porque o bem, Jacob, existe. Porque ele o empurrou para o seu destino. E agora cabe a um dos candidatos acabar com (F)Locke, senão ele acaba com a ilha.

Não vou nem falar muito dos flash "sideways", que surgiram quando aquela bomba atômica de 1975 explodiu, e que parecia ser uma realidade alternativa - paralela àquela dos que permaneciam na ilha. Nessa nova realidade a vida de todo mundo era bem melhor, ou parecia ser bem melhor, do que a vida deles quando chegaram à ilha pela primeira vez. A ilha estava afundada, Jack era pai, Locke ia se casar, Desmond tinha a aprovação de Charlesss Widmoreeee (vide lost untangled :P). Um paraíso, diga-se de passagem.

E Desmond. Ah... Desmond. Ele reaparece na ilha. Mais seguro do que nunca. Aceitando a inevitabilidade das coisas. Desmond ressurge e parece ter conhecimento de tudo, sobre tudo, a qualquer tempo. Ele não tem medo. Tudo parece ter feito sentido para ele. Nas duas realidades... no presente e no "flash sideway". Confesso que senti inveja dele, porque ele entendeu tudo. Eu acho que o "choque" que o Desmond levou naquele teste do Widmore pra ver se ele conseguia aguentar altas cargas eletromagnéticas fez com que ele se "iluminasse". Fez com que ele saísse da roda do samsara e atingisse a verdade suprema. É, o que todos nós queremos atingir quando meditamos. O que o budismo prega que pode ser atingido com a prática do DESAPEGO. "Let go" como disseram várias vezes na série.

E toda a explicação "física" para a ilha foi para o espaço. De repente, a ilha deixa de ser um buraco de minhoca e vira a garrafa que impede que o mal se espalhe. O coração da ilha vira uma piscina brilhante de água quente (não resisti :P), que contém o início e o fim. A vida e a morte. O alfa e o ômega. O protetor da ilha, até então Jacob, vira uma rolha que impede o mal de sair. LITERALMENTE, uma rolha! Mas eu duvido que o mal fosse seu irmão, (F)Locke. Não acho que ele seja de todo ruim. Assim como Jacob não é de todo bom.

Nesse momento eu quis chorar de raiva. De ódio. Por ter perdido seis longos anos da minha vida com essa trama absurda...

E a trama seguiu seu rumo. O flashsideway, na verdade, era um período "pós-morte" em que os losties viveram no paraíso e depois lembraram de suas vidas, de seus dramas na ilha. E quando conseguiram se desapegar, se encontraram numa igreja e foram para luz. Uma igreja cheia de significados, diga-se de passagem. Símbolos cristãos, judaicos, hindus, budistas...

E o mesmo conceito que permeia todas essas religiões: o desapego. Eles só conseguiram seguir em frente com a sua evolução, o seu progresso (nas palavras de Jacob) quando aprenderam que o que aconteceu, aconteceu... e não há nada que se possa fazer em relação a isso.

Uma coisa interessante que talvez tenha algum sentido na trama é a trindade Brhama - Vishnu -Shiva. Brhama (o alfa) é o criador, a aranha que tece a teia (maya - ilusão). Vishnu é o poder da manutenção do universo - o protetor do dharma. E Shiva (o ômega?) é aquele que destrói. Mas não em um sentido ruim... Shiva destrói a ilusão.

E eu vejo essa trindade em Lost...
A ilha, a luz brilhante, contém o começo e o fim, a vida e a morte. Que também podem ser representados por Jacob e seu irmão. E quem é a protetora do Dharma nessa história mesmo? Ela, Heloise Hawking. A que sabe tudo do destino dos outros...

Lost foi muito diferente do que eu imaginava. Muito mesmo. Eu confesso que gostaria um pouco da explicação "científica", porque os criadores da série prepararam o terreno pra isso. Confesso que o episódio final foi uma pancada no estômago de qualquer um. E que, assim como eu enxerguei esses significados na série, qualquer outro fã pode ter enxergado outra coisa. O que é uma droga pra quem esperou seis anos...

Mas, como disse meu namorado Renan, e meus amigos Rafa e Júlio, Lost não é uma série. É uma experiência. Eu não me arrependo das vezes que vi lost com vocês três. Das horas que passamos discutindo no telefone, ou da nossa conversa hoje após o episódio. Lost foi revolucionário por causa dos relacionamentos tão bem trabalhados na série, e tão bem "espelhados" aqui, do lado de fora.

Queria deixar bem claro que todas as conclusões que postei aqui são as minhas opiniões, tá? E as de vocês? :-)





domingo, 23 de maio de 2010

O andar do bêbado...

Essa semana eu fiz um curso muito interessante no SEBRAE sobre desenvolvimento de equipes. No curso trabalhamos uma série de competências necessárias para o trabalho em qualquer grupo de pessoas como comunicação, inteligência emocional e ética. Todas essas competências foram trabalhadas com dinâmicas lúdicas e discussões posteriores sobre o nosso comportamento.

O curso foi ótimo, muito bom mesmo, mas não é sobre isso que eu queria escrever. Numa das dinâmicas do curso, fomos confrontados com um jogo de azar. E alguém me perguntou se era possível prevermos um resultado em um jogo como esses que, aparentemente é aleatório. E eu respondi que sim... nesses jogos o "espaço de decisões" pode ser aleatório, mas as pessoas que as tomam não são. E até nessa aleatoriedade existe um padrão: o egoísmo. Sempre vamos tomar decisões que nos beneficiem em detrimento ao grupo. E essa é a nossa natureza. Sim, é uma visão trágica da vida.

Não estou dizendo que todos tomam essa decisão, mas esse é o comportamento médio. E é nesse ponto que eu gostaria de chegar no texto: na média. Nós, seres humanos, temos uma capacidade incrível de querer encontrar padrões em tudo que existe. Queremos saber porque um vinho horrível foi classificado como número um numa revista de enólogos famosos, porque aquele ator de Hollywood tem sucesso e aquele outro ali não tem, porque o livro do Stephen King vende tanto, se eu nem gosto tanto assim dele. E o principal: porque aqueles filmes do Night Shyamalan continuam fazendo sucesso sendo que só "Sexto Sentido" é realmente bom?

Porque nosso comportamento é aleatório, mas, na média, nós tendemos a seguir a opinião dos outros. Coloque todos os enólogos que classificaram aquele vinho com gosto de borracha em salas separadas e peça pra eles classificarem o vinho (sem saber sua procedência). Sabe qual vai ser o resultado? Uma parte deles vai dizer que o vinho é ótimo, com "notas" de tâmaras secas da Arábia e chocolate amargo (estou inventando, não entendo nada de vinhos), uma parte deles vai dizer que o vinho tem gosto de borracha (sim, eu fico aqui!!!) e uma parte deles vai dizer que o vinho está na metade do caminho nem bom, nem ruim (E a distribuição disso vai ser gaussiana!). Agora repita o experimento dizendo que o vinho foi o número 1 naquela revista super respeitada. Alguma dúvida sobre o resultado? Nós vamos confiar na opinião daquela revista super respeitada. Afinal, ela é super respeitada e nós, bem, nós não entendemos nada de vinho.

Esse comportamento se repete com tudo na nossa vida, e nós não conseguimos perceber. Mas tudo bem, evolutivamente foi bom seguir com a opinião do grupo, certo? Evolutivamente, foi bom ser egoísta. Evolutivamente, foi bom procurarmos padrão em tudo que vemos. Mas não podemos negar que alguns acontecimentos são aleatórios. Quer dizer, todos eles são aleatórios. São conjuntos de pequenas decisões aleatórias que nos trouxeram até aqui. Sabe aquele homem perfeito que você conheceu no supermercado e virou o homem da sua vida? Não, não havia nenhum plano divino interferindo no fato de que ele ficou com vontade de beber cerveja no domingo a noite e você ficou sem pão para o café da manhã de segunda-feira. O que não foi aleatório foi a decisão de levantarem do sofá e irem ao supermercado. Não é porque quase tudo é aleatório que não temos as rédeas de nossa vida, certo?

O título do texto é "O andar do bêbado" por dois motivos:
1 - faz alusão ao livro "O andar do bêbado" :-P Boa parte das idéias foram tiradas de lá e eu recomendo àqueles curiosos sobre probabilidade e estatística ;-).
2 - Por causa do movimento browniano. Uma partícula, movimentando-se devido a causas aleatórias, tende a voltar para o mesmo lugar (se tiver tempo para isso, é claro). Assim como um bêbado sempre volta pra casa, apesar da incerteza de seus passos.


domingo, 16 de maio de 2010

Cansei de ser assim.

Ser e não parecer. Parecer e não ser. Não sei bem o que era melhor, mas lembro muito bem da minha professora de literatura explicando os conflitos entre o "ser" e o "parecer" nas obras de Machado de Assis.

Não sei porque, mas me lembrei disso hoje. Talvez porque eu tenha uma impressão de que todos sempre esperam demais de mim. Esperam que eu seja a boazinha, a sempre correta, aquela que não erra. Porque eu pareço ser assim.

E talvez o erro seja meu mesmo. Que me esforcei tanto para viver e atender às expectativas dos outros. Às expectativas malucas dos outros, pra falar a verdade. Expectativas daqueles que esperaram que eu fosse melhor do que eles próprios...

Me esforcei pra parecer a vida inteira aquilo que não era. Caí no erro fundamental: nunca soube abraçar e aguentar o peso das minhas escolhas. A saída mais fácil era sempre fazer as escolhas que agradassem à maioria. E foi esse o caminho que eu peguei. O mais curto, o mais fácil.

Por isso hoje eu venho aqui, de peito aberto e digo:

Não esperem nada de mim. Eu sou tão errada quanto qualquer um. Tão humana quanto qualquer um. E não espero que isso justifique meus erros injustificáveis...
Só espero que, quando eu errar, ninguém diga:
Nunca esperei isso de você.

Esperem qualquer coisa. Boa ou ruim. Estejam preparados. Porque eu cansei de ser assim. Cansei de viver sob a loucura de terceiros.

Se for pra viver de acordo com as expectativas de alguém, que sejam as minhas. Porque no fim, sou eu que vou sentir o peso da vida que tive.

Dave Matthews Band - The Stone
I've this creeping
Suspicion that things here are not as they seem
Reassure me
Why do I feel as if I'm in too deep?
Now I've been praying
For some way to show them
I'm not what they see
Yes, I have done wrong
But what I did I thought needed be done
I swear

Oh, Unholy day
If I leave now I might get away
Oh, but this weighs on me
As heavy as stone and as blue as I go
I was just wondering if you'd come along
Hold up my head when my head won't hold on
I'll do the same if the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone
I'm a long way
From that fool's mistake
And now forever pay
No, run
I will run and I'll be ok
I was just wondering if you'd come along
Hold up my head when my head won't hold on
I'll do the same if the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone
I go a long way
To bury the past for I don't want to pay
Oh, how I wish this
To turn back the clock and do over again
Now I'm just wondering if you'd come along
Hold up my head when my head won't hold on
I'll do the same if the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone

I need so
To stay in your arms, see you smile, hold you close
And oh it weighs on me
As heavy as stone and of bone chilling cold
I was just wondering if you'd come along
Tell me you will.

e tenho dito.



quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília, por que te amo?



Brasília é definitivamente uma cidade de contrastes. Uma cidade onde a dureza do concreto consegue ser leve e desafiar a beleza das formas. Onde o céu, de tão imenso, parece não caber em seu lugar. Onde o nascer e o por do sol são tão lindos, tão maravilhosos, que até tenho a impressão de que os merecemos, por sermos sempre tão corruptos por aqui.


Sim, eu me incluo nos corruptos. Apesar de não o ser, também não faço nada para tirá-los de lá. A não ser votar em quem eu acho que não seja "tão ruim assim". Mas apesar das manchas que essa linda cidade leva nas páginas da sua história, eu continuo a amando.

Sim, eu a amo. Amo cada por do sol. Cada nascer do sol que vi na esplanada. Cada dia cinzento durante a seca, e chuvoso durante o verão. Quando criança, adorava brincar debaixo do bloco, ir pra casa da "tia". E "tia", nunca é a irmã do meu pai ou da minha mãe. É assim que a gente se cumprimentava há alguns anos (e ainda continuo cumprimentando as mães de poucos amigos meus, sem o medo de parecer ultrapassada).

Porque, apesar da frieza que dizem que nós temos por aí, essa é verdadeiramente uma cidade acolhedora. Uma cidade onde pessoas do Brasil inteiro se encontram, se conhecem, procuram conforto. Se não fosse assim, todo mundo já teria voltado pra casa, não teria? Mas não é assim. Hoje somos bem mais de dois milhões de brasilienses felizes. Apesar de tudo...

Apesar do crescimento imobiliário e populacional, nós brasilienses, ainda temos os nossos refúgios. Eu cresci indo à água mineral, comendo milho cozido, vendo macaco prego roubar comida dos outros. E continuo indo lá, quando dá pra ir durante a semana. Adoro ir ao parque da cidade, quem nunca foi? Não é o Central Park, mas quer saber? É melhor! Fica aqui do lado e foi palco de muitas, muitas histórias da minha vida. É quase a minha segunda casa...

Amo a segurança que nós ainda temos, e ainda amo o clima. Nunca é tão, tão quente. Nem tão, tão frio. Só é muito, muito seco, mas acho que eu já me adaptei a isso ao longo dos anos...

E, o que eu mais amo mesmo, é a leveza dos dias. A leveza das formas em concreto, que parecem flutuar ao encontro do céu (que por aqui, é infinito).

Por essas e outras coisas, apesar dos panetones, dos nossos políticos, da segregação e do crescimento populacional desordenado, eu continuo te amando, Brasília. E, se eu puder, vou te amar pelos próximos 50 anos.


domingo, 11 de abril de 2010

Sobre o fim. E o recomeço.

Nos últimos dias (ou meses?), me senti em um sonho. Um sonho desconexo, irreal. Um sonho em que eu não era eu mesma, as pessoas não eram iguais às que eu conheço. Já aconteceu com vocês?

É como se depois de um estresse muito grande, viesse uma sensação de alívio arrebatadora, que te leva por aí, e te arranca daquela sua vida cotidiana.

Então, de repente, me vi achando que podia fazer qualquer coisa que eu quisesse. Ser quem eu não sou. Sair todos os dias, viver só o hoje, sem me preocupar com o amanhã. E eu vivi (ou tentei viver?) um tempo assim. Quase dois meses, na verdade. Tomei atitudes que eu não tomaria normalmente, peguei caminhos que eu nunca pegaria.

E até que foi bom. Sair de você mesmo é muito bom (de vez em quando). Se tivesse que resumir esse período em uma frase, resumiria em uma frase do livro “Alice no país das maravilhas”:

“I almost wish I hadn’t gone down that rabbit hole – and yet – and yet – it’s rather curious, you know, this sort of life”

E, de fato, viver uma vida que aparentemente não é sua, é extremamente tentador. Mas felizmente, isso só é possível por algum tempo. Melhor que viajar, é voltar pra casa com toda a experiência de vida adquirida na viagem, não é mesmo?

Durante essa minha fase impulsiva, mesmo achando que não era o momento, eu decidi ir aos Estados Unidos. Por milhões de motivos. Até usei toda a minha cara de pau para pedir férias, antes mesmo de começar a trabalhar, só para ter um tempinho de ver o meu amor. Normalmente, eu não teria usado minha cara de pau e teria deixado a oportunidade passar...

E quanta coisa eu teria perdido, não é mesmo? Oportunidades são únicas. Não quero mais deixar minha vida pra depois. O depois, é só o agora de antes.

Se eu tivesse hesitado, não teria visto uma das coisas mais belas da minha vida: as flores das cerejeiras, que só existem durante uma semana. Isso que é uma oportunidade, não é? Das 52 semanas do ano, eu escolhi justamente essa. E por acaso...

Acho que essa fase de “ não-Erika” até foi bastante produtiva. Não vou contar da viagem, porque eu queria dedicar um post só pra falar dela (talvez até mais de um). Mas essa fase de não-Erika, me fez enxergar que as vezes, eu perco oportunidades só por ter receio de falar certas coisas. Receio do que “vão pensar de mim”, receio do que “vai acontecer se...”. Eu sou mestre em fazer esse tipo de coisa, e em todas as minhas situações hipotéticas eu sempre me dou mal. Que tédio.

Hoje é o fim da minha fase de não-Érika. Mas, amanhã, no recomeço da minha vida “normal”, em que eu começo no meu novo emprego, eu espero que algumas das minhas características recém adquiridas continuem me acompanhando, não é mesmo?

Afinal, se nós não tomarmos rédeas das nossas próprias vidas, quem vai tomar? Se nós tivermos medo/receio de tudo, onde vamos chegar?

E eu quero chegar muito, muito longe.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre o tempo...


Hoje eu quero escrever sobre uma das minhas principais curiosidades.

O tempo.

Isso mesmo. O tempo. Esse, que pode ser calculado pela distância e pela velocidade. Esse tempo, que parece cada vez mais curto e que escorre entre meus dedos. Esse tempo, que quando queremos que apresse, anda devagar. E que quando queremos que diminua o passo, aumenta ainda mais.

Eu queria escrever algo científico sobre o tempo. Queria compreendê-lo, conhecer suas equações, dimensioná-lo. Subtraí-lo. Multiplicá-lo. Contraí-lo quando estivesse longe de ti, e aumentá-lo quando estivesse em teus braços. E queria aprisioná-lo em minhas mãos. Ser sua senhora. A senhora do tempo.

Mas isso tudo é impossível. Não é possível expandir e contrair o tempo como se fosse uma função que se comporte como eu bem entender. O tempo não é matemático. O tempo não é mensurável, mesmo que tentemos dimensioná-lo com o tic tac dos relógios, com o período de radiação de um átomo, com o passar das noites e dos dias. Com minhas primaveras e teus verões.

O tempo nada mais é do que uma ilusão. Uma percepção. Um sopro. Um breve intervalo entre duas localidades, entre dois acontecimentos. Entre duas vidas. Entre teus beijos, teus braços e teus abraços.

Às vezes, me pergunto se seria o tempo um carrasco que nos aprisiona sempre que tentamos enganá-lo. Ou se seria uma piada de Deus. Uma piada que nos surpreende sempre que cremos tê-la decifrado? Uma piada! Uma piada que diz que a única maneira de ganhar tempo, é perder tempo.

Um paradoxo. Uma prisão. Um momento de solidão que dura eternamente. A eternidade de paixões que duram um instante. A certeza de que sempre temos tempo, e de que tudo se repete. Sem nunca voltar atrás...

Sobre o tempo, só posso dizer uma coisa: que o meu tempo seja infinito enquanto dure.

O sertão vai virar mar...

Cânion do Xingó, entre Alagoas e Sergipe. Fui lá ontem...
Eu ia postar as fotos, mas eram tantas que preferi fazer um vídeo...
:-)
É o primeiro vídeo que eu faço, então desconsiderem a breguice!


video

A música que eu escolhi (Sobradinho - Sá e Guarabira, versão do biquini cavadão) não se refere a essa barragem, ok? E sim a outra barragem, também no Rio São Francisco.


o Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia, vai subir bem devagar
E passo a passo, vai cumprindo a profecia
Do beato que dizia que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casanova, Sentisé
Adeus Pilão Arcado veio o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira, o Gaiola vai subir
Vai ter barragem no Satu do Sobradinho
O povo vai se embora com medo de se afogar
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casanova, Sentisé
Adeus Pilão Arcado veio o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira, o Gaiola vai subir
Vai ter barragem no Satu do Sobradinho
O povo vai se embora com medo de se afogar
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Remanso, Casanova, Sentisé
Pilão Arcado, Sobradinho, adeus, adeus
Remanso, Casanova, Sentisé
Sobradinho, adeus, adeus
Remanso, Casanova, Sentisé
Sobradinho, adeus, adeus


Beijos

terça-feira, 16 de março de 2010

E a vida? É bonita, e é bonita...

Hoje eu quero falar sobre um assunto muito delicado. E eu não sei nem por onde começar. Quer dizer, por onde começar eu sei porque essa já é a quarta tentativa, só não consigo terminar.

Comecei querendo falar sobre o poder da escolha, fé e destino, mas na verdade, eu quero mesmo é dividir um pouco da experiência que eu estou tendo aqui em Aracaju com a minha família e que passa por todos esses assuntos que eu mencionei aí em cima.

Vou começar pelo fato. Há quase dois anos, um primo meu daqui sofreu um acidente e ficou tetraplégico. De certa forma, o que aconteceu parece um pouco com o que está sendo retratado na novela das oito. Eu acompanhei o processo muito menos do que eu gostaria de ter acompanhado, e a verdade é que só agora eu o vi novamente.

Durante esses quase dois anos, nós conversamos algumas vezes via telefone/skype... e em nenhuma dessas vezes ele mostrou desânimo, tristeza, e nem quis culpar ninguém pelo que aconteceu com ele. Aliás, se alguém conversasse com ele pelo telefone, sem saber do acidente, nem sequer pensaria que ele está no estado que se encontra.

Alguém aqui consegue se colocar no lugar dele? Um pai de família, com uma família linda, duas filhas adolescentes, uma esposa que o ama muito, de repente se vê tetraplégico. De repente vê tudo mudar... e não se revolta. Ele resolve continuar dado que o acidente aconteceu, dadas suas novas limitações. E ele faz isso tão bem...

E eu me pergunto de onde vem essa força, essa garra. Nós, seres humanos, temos a tendência a nos adaptarmos a diversas situações, a diversas limitações. Não só físicas, como é o caso, mas também sociais. Quantas vezes nos chocamos com a capacidade de algumas pessoas de viverem em condições subhumanas? Não basta ter um "corpo preparado" para se adaptar. É preciso ter uma "mente" preparada para prosseguir. Embora eu não goste dessa divisão "corpo"/"mente", eu não consigo arrumar palavras melhores para utilizar.

Agora eu vou voltar àqueles três pontos que mencionei no começo do texto: escolha, fé e destino. Eu realmente acredito que nós temos poder total sobre as nossas vidas, ou seja, sempre temos uma escolha. Contudo, (in?)felizmente, existem coisas em nossas vidas sobre as quais nós não temos o controle. O acidente do meu primo, por exemplo.

Confesso que pareci um pouco contraditória nessas frases acima. Mas vou tentar explicar. Alguns dos fatos que acontecem na nossa vida não são previsíveis. Algumas pessoas chamam isso de destino. Eu chamo de "eventos aleatórios". Mas, mesmo com a aleatoriedade desses fatos, nós sempre temos o poder de decidir o que vamos fazer com eles. Algumas pessoas se acovardam diante dos problemas. Outras se encorajam, como o meu primo.

Alguns culpam a economia, a falta de oportunidade, e até mesmo o universo por seus fracassos. Deixam suas vidas passarem, porque só vão viver quando conseguirem o emprego, quando ganharem na loteria, quando "Deus quiser". E é até bem cômodo viver assim, não é? Eu vivo um pouco assim...

Já outras pessoas, nascem com o espírito inquieto. Com aquela chama que clama por mudança, por melhoria, por saber. Enfrentam a vida de peito aberto, sem medo. Elas têm fé. Não só fé em Deus, mas fé na vida. Fé nelas mesmas. (No caso do meu primo, ele é um exemplo de homem de fé. Mesmo. E é até bonito conversar com ele sobre suas convicções religiosas, mas isso é assunto para outro post).

Hoje eu tive o prazer de acompanhá-lo em uma das suas sessões de fisioterapia. E é incrível ver alguém progredindo tanto. Ele está aos poucos reaprendendo seus movimentos, recuperando sua sensibilidade. Ele está vivendo cada vitória aos poucos, saboreando a beleza de cada conquista.

E acho que é isso que as vezes falta na vida de todo mundo. Nós nos preocupamos tanto com as grandes vitórias, as grandes conquistas, que nos esquecemos que cada segundo, cada minuto, cada dia vivido já é bem mais do que precisamos para comemorar.

Eu sei que tudo isso que eu falei parece estar desconexo, estar sem sentido, mas é que ele tem sido um exemplo tão forte pra mim, eu estou me sentindo tão emocionada com sua trajetória, que eu tive que compartilhar com vocês aqui no blog.

sábado, 13 de março de 2010

Como você está se sentindo hoje?


Hoje eu não sei como estou. Acordei me sentindo um ponto.
Nem ponto final, nem ponto de exclamação ou interrogação. Apenas um ponto.



Apenas um ponto. Uma intersecção entre duas retas perpendiculares. Sem ter vindo de lugar nenhum, sem ir para lugar nenhum. Sempre parado ali naquele lugar, que ninguém sabe onde é. Será possível?

Será possível acordar se sentindo um ponto e dormir se sentindo outra coisa? Será que ser uma vez ponto, é ser sempre ponto? O que é ser ponto? Como deixar de ser ponto?

São tantas perguntas. Vou parar de imaginar.

Só sei que hoje acordei ponto, e durmo ponto. Mais ponto ainda do que quando acordei.

Sem começo, nem fim. Só ponto.

Sem passado, nem futuro. Só ponto.

Um instante em uma sucessão infinita de acontecimentos. Um ponto.

Sem lembranças, sem expectativas. Só ponto.

É tão chato ser ponto. Um ponto não foi, um ponto não será. Um ponto só é. Um ponto não pode nem pensar em ser, pois enquanto ele pensa em ser, ele é.

E ele é sempre esquecido.

Se é um ponto de partida, só pensam no ponto de chegada.
Se é um ponto de chegada, só pensam no próximo destino.
Se é um ponto final, só pensam no resto, no caminho percorrido até ali.
Se é um ponto e vírgula, não é nada. Ninguém sabe usar.

Um ponto é só um ponto. Não adianta querer que ele seja mais ou menos. Ele é o que ele é.

E ponto final.





sexta-feira, 12 de março de 2010

Arrumando as malas!




Nossas vidas seriam tão mais fáceis se sempre pudéssemos arrumar as malas. Pegar o essencial, deixar pra trás o resto. Deixar pra trás a vida. A realidade. As incertezas. Os erros...

Partir.

Partir. Sem rumo, sem destino. Apenas com o essencial, a curiosidade e aquele friozinho na barriga, de quem não sabe o que vai acontecer depois. Aquele friozinho do primeiro dia da escola, do primeiro beijo, da primeira viagem de avião, do primeiro amor...

Partir sem destino, e recomeçar.

Recomeçar como se nada houvesse acontecido até aquele instante. Como se tudo fosse o agora, o hoje, sem antes ou depois. Sem erros, sem arrependimentos, sem palavras não ditas. Só uma inexplicável vontade de ser feliz...

Ser feliz como se ninguém estivesse olhando. Como se ninguém te conhecesse e você pudesse ser, finalmente, quem você é. Sem se preocupar com os outros. Com os rótulos. Com o convencional. Com o que vai acontecer amanhã ou depois. Ser feliz, como se sua felicidade não causasse impacto na felicidade de mais ninguém. Ser feliz por você mesmo, e com você mesmo.

E quando, finalmente, a rotina do não casual ficasse cansativa, poderíamos, enfim, desfazer as malas. Juntar o essencial ao resto. Voltaríamos para casa, revigorados, com aquele ar juvenil que só quem enfrentou o incerto pode ter...

Voltar pra casa.

Aproveitar aqueles segundinhos de nostalgia. De saudade. Curtir o sabor do retorno. Acostumar-se à rotina.

Até o dia em que aquela inquietação costumeira aparecer novamente, nos convidando para conhecer (de novo) o desconhecido, e a recomeçar como se fôssemos outros. Num mundo perfeito.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Podemos mudar quase tudo em nossas vidas...

... menos as nossas paixões.

Será?

Ouvi essa frase em um filme outro dia (O segredo do seus olhos), e ela chamou minha atenção. Não sei porque fiquei intrigada com ela. Só sei que no mesmo momento eu quis encontrar alguma paixão que tenha me acompanhado a vida inteira. Então eu acabei fazendo uma retrospectiva, e não é que encontrei a tal paixão?

Quando eu era criança, eu gostava de brincar com bonecas. Como boa parte das meninas com menos de 10 anos, até hoje. Eu gostava de brincar com bonecas, assistir desenho animado, andar de bicicleta, patinar e desenhar. Desenhar qualquer coisa, mas desenhar.

Quando eu era adolescente, eu gostava de ler. Gostava de ler, queria aprender mais sobre o mundo, sobre a física, sobre a história. E queria pintar. Qualquer tempo livre que eu tinha, eu ia pra minha aula de pintura a óleo, pintura em gesso, pintura em qualquer lugar... e isso me libertava da minha "traumática" vida juvenil. No momento mais triste da minha vida, adivinhem o que eu estava fazendo? Pintando. Quem diria?

Já na faculdade, eu deixei de pintar. Muitos cálculos, muitas noites em claro, muitas preocupações. Era a simulação que não deu certo, a lista que eu deixei de fazer, o estágio que eu tinha que procurar, a prova de TECOM...
Mas lá estava eu aprendendo a fazer mosaico.

E na única parte da minha vida (o mestrado) em que eu deixei de fazer qualquer coisa "artesanal", o que aconteceu? Tudo desandou...
Larguei o mestrado, me perdi no caminho, cheguei até a achar que eu não sabia mais quem eu era, o que eu queria da vida.
Fiz um blog (este, por acaso), não me encontrei.
Fui pra outro país, não me encontrei.
Fui estudar pra concurso, não me encontrei.
Encontrei um outro alguém, mas não me encontrei.

Voltei a fazer mosaicos, me reencontrei.

Voltei pro mestrado, tudo deu certo de novo. Claro que não foi só pelo mosaico, ou pela pintura (nem a causa, nem a consequência), mas confesso que ele teve um grande papel nisso tudo.

Vale a pena viver sem a sua paixão?
Você é você mesmo, sem a sua paixão?

Voilá! O artesanato (a arte?) é minha paixão, mesmo que eu a tenha renegado ao longo da vida.

Qual é a sua?






quarta-feira, 3 de março de 2010

E se?


Sempre quis ter coragem de fazer uma tatuagem. E sempre que eu penso em tatuagem, eu só penso em um desenho, que traduz um amor que eu tenho há quase dez anos. Uma firedancer, como a daí de baixo:
Mas sempre em que eu penso em fazer uma tatuagem, eu penso logo em ... "E se":

E se for besteira tatuar o símbolo de uma banda?
E se eu não gostar mais dela daqui a dez anos?
E se eu me decepcionar?
E se me atrapalhar no trabalho?
E se eu enjoar?
E se perder o sentido?
E se...?

Esses "E se" 's me atormentam há bastante tempo, tanto tempo que nem sei mais ...
Assim como todos os "E se"'s que nos atormentam em todas as escolhas das nossas vidas, certo? Eu, pelo menos, sou cheia de "E se" 's.

Hoje eu percebi que se preocupar com os "E se?" de nossas vidas é extremamente necessário. Mas que se preocupar só com eles, é perda de tempo, porque a gente nunca sabe o que vai acontecer mesmo.

Por isso hoje eu decidi muitas coisas em 10 minutos. Decidi que ia aceitar uma proposta de emprego, que ia ver meu namorado do outro lado do mundo, e que ia parar de me preocupar com os "E se"s...

Porque tudo o que eu tenho, tudo o que eu sou, é agora. E não existe nada além disso. Não existe nem passado, nem futuro. Só o presente. Só o agora. Eu nunca vou ser como eu fui ontem, e nunca vou saber como vou ser amanhã.

Quanto a tatuagem, decidi que vou fazer mesmo quando voltar de viagem. E se eu me arrepender de fazer ?

Não importa. Ela vai sempre me lembrar do que eu sou, do que eu quero agora, certo? Não estou fazendo pela Erika de 30, 40, 50 anos.
Vou fazer pela Erika de 24.

Aquela que eu nunca fui, e que nunca mais serei de novo.

O único problema agora é escolher a frase que vai acompanhar. Mas são outros 500...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Parece mentira...

Há quase 41 anos (!!!) o homem pisou na Lua pela primeira vez. E o mundo "acompanhou" pela TV...
Não em tempo real, mas acompanhou todo o processo. (Mesmo assim, tem muita gente que diz que não é verdade, mas não vou discutir isso)

Hoje eu vou falar sobre alguns avanços tecnológicos desde então...
Hoje nós não só podemos "acompanhar pela TV" os grandes acontecimentos da humanidade, como também podemos participar deles.

Hoje, nós podemos não só ver as fotos que tiraram do espaço, como podemos também conversar com os astronautas que ainda estão lá. As frases de efeito, como "a terra é azul" ou "um pequeno passo para o homem, um grande passo para humanidade", não são mais transmitidas pela TV. São transmitidas pelo twitter!!! E nós podemos até comentá-las, assim como comentar as fotos e acompanhar o humor dos astronautas.

Eu acho isso incrível. A tecnologia, que todo mundo diz ser "impessoal", a tecnologia, que alguns dizem que pode "afastar as pessoas", fazer com que as criancinhas não brinquem mais na rua, traz cada vez mais o mundo inteiro pra dentro da nossa casa...

E eu não acho, de jeito nenhum, que isso seja negativo. Hoje alguém publica uma idéia na Malásia/ China/ Peru ou em qualquer lugar e amanhã o mundo inteiro pode discutir essa idéia! Eu fico maravilhada com esse tipo de coisa :-)

Seguem algumas fotos que meu "amigo" de twitter, um astronauta chinês, enviou para o mundo nos últimos dias...



E isso me faz lembrar a música do Tom Jobim...

"Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento..."

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alice... (terminem aqui)



C'est ça! Adorei a frase no final... perfeita, para vários momentos da minha vida. :-) (Apertando Ctrl e +, vocês conseguem aumentar o tamanho da postagem, inclusive da figura, se ficar difícil de ler)

Alice... (comecem por aqui)



Mais uma vez, vou recorrer ao trabalho de quem, mesmo não sabendo, descreve minha vida em tirinhas...



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Depois de um ano...

É difícil escolher um tema que seja importante o suficiente para a minha volta ao "The dreaming tree".

Então eu escolhi o óbvio. Vou falar da conquista do título!!! O meu título, já que o meu time (Vasco) insiste em ficar batendo na trave quando o assunto é ganhar uma final.

Depois de alguns anos de sofrimento, incertezas, trabalho, noites mal dormidas, muita pesquisa, muita esperança, e muita reclamação também...
eu finalmente consegui o que tanto almejei! O objetivo da minha vida nos últimos dois anos:

O título de mestre!

Dos magos?
Jedi?

Nãooooo! Mestre em engenharia, garotinhos. Estou me sentindo muitoooo esses dias hahaha

Mas o que eu queria dizer, é que depois de um grande desafio, de uma etapa vencida, o que fica é o alívio e a sensação de dever cumprido. E esse alívio compensa todos os momentos tristes do percurso.

Um amigo meu me disse que a felicidade plena só é atingida depois de um grande período de tensão. Se isso for de fato verdade, eu estou num desses momentos agora. Mesmo que dure pouco, essa sensação vale a pena.

Felicidade plena, pra mim, é ver que eu consegui realizar alguma coisa que dependia só de mim. Às vezes, nos preocupamos com o que "o outro pensa", com o que "o outro quer", sem saber que, na vida, a unica pessoa sobre a qual nós temos poder somos nós mesmos.

Não estou dizendo que não existe felicidade "fora de nós mesmos". De fato, grande parte da nossa felicidade está associada aos outros, e que bom que é assim. O que eu estou dizendo é que, se não conseguirmos ser felizes por nós mesmos, pelas nossas conquistas, pelas nossas crenças, e pelo nosso modo de vida, como esperamos encontrar essa felicidade somente nos outros? Por que deixamos que a nossa felicidade esteja condicionada às ações do outro?

Hoje eu sou feliz por mim mesma, e pela felicidade que alguém me traz.